Palcos da semana

O deserto do homem-tigre, a arte de Snow e o novo fado de Branco compõem a banda sonora dos próximos dias, entre cenas que vão de Atenas à América.

Foto
The Legendary Tigerman Rita Lino

Música
À margem do deserto

A música de The Legendary Tigerman (Paulo Furtado) sempre foi beber ao delta do Mississípi. Mas foi do deserto californiano que veio Misfit, o novo álbum. As canções foram sendo compostas em quartos de motel, entre Los Angeles e o Vale da Morte, em Maio de 2016, ao ritmo das gravações de um filme-diário-de-viagem com o realizador Pedro Maia e a fotógrafa Rita Lino. Esse filme, Fade Into Nothing, não só percorre Misfit enquanto imaginário, como vem incluído nele. Foi o primeiro disco que o homem-tigre gravou nos EUA. E o primeiro em que não esteve sozinho no seu blues-rock: a one man band deu lugar à partilha com Paulo Segadães (bateria) e João Cabrita (saxofone). Depois da apresentação em Lisboa na quinta-feira, segue estrada fora: Porto (dia 2 de Março), Arcos de Valdevez (9), Aveiro (10), Évora (15), Castelo Branco (16), Alcobaça (17), Tondela (23), Braga (24) e Coimbra (29).

LISBOA Lux Frágil
Dia 22 de Fevereiro, às 23h.
Bilhetes a 14€ (inclui CD)

PÚBLICO -
Foto
Still do filme Wavelengt (1967), de Michael Snow

Arte
Imersão em Snow

A obra de Michael Snow já foi vista em Portugal algumas vezes. Mas agora a Culturgest propõe uma "experiência imersiva" no trabalho do veterano e influente artista canadiano. Ícone do cinema experimental, referência das artes visuais e destacado explorador sonoro, produziu obra de vanguarda nos mais diversos suportes, privilegiando a ligação som-imagem. É nesta conexão que se centra a exposição O Som da Neve. Snow vai estar na inauguração para conduzir uma visita ao lado do curador, Delfim Sardo (dia 24, às 12h). Dois dias antes, o artista de 88 anos apresenta-se a solo num concerto ao piano (dia 22, às 21h30; 6€). O quadro completa-se com um ciclo de cinema que inclui o seminal Wavelength, de 1967 (de 4 de Março a 10 de Abril; 4€/sessão).

LISBOA Culturgest
De 24 de Fevereiro a 22 de Abril; terça a domingo, das 11h às 18h (até às 19h ao fim-de-semana e feriados).
Bilhetes a 4€

 

PÚBLICO -
Foto
DR

Música
Concertos em Branco

Dois anos depois de Menina, álbum em que se reinventou, Cristina Branco lança Branco, em que reinveste na fusão de estilos no seu fado. É apresentado pelo single Eu por engomar, escrito por André Henriques (Linda Martini) e Filho da Mãe, dois dos muitos músicos que colaboraram no disco. Antes dos grandes concertos em Lisboa e no Porto (dias 15 e 23 de Maio, respectivamente), e no meio de uma extensa digressão europeia, Branco mostra-se já em Bragança, Ílhavo e Braga.

BRAGANÇA Teatro Municipal
Dia 22 de Fevereiro, às 21h.
Bilhetes a 6€
ÍLHAVO Centro Cultural
Dia 23 de Fevereiro, às 21h30.
Bilhetes a 10€
BRAGA Theatro Circo
Dia 24 de Fevereiro, às 21h30.
Bilhetes a 15€

 

PÚBLICO -
Foto
Guido Mencari

Teatro
Em nome da democracia

Em 2016, trouxe com Sobre o Conceito do Rosto do Filho de Deus uma tentativa de concretizar a face de Cristo. No ano seguinte, veio à bienal BoCA questionar Espinoza numa Ethica que envolvia o público e, em Júlio César - Peças Soltas, explorar a retórica de forma visceral. Conhecido por trabalhos nadas consensuais e eventualmente chocantes, o encenador italiano Romeo Castellucci regressa agora com Democracy in America. O ponto de partida é o texto homónimo que o francês Alexis de Tocqueville publicou em 1835 e 1840 acerca dos valores que sustentam a democracia norte-americana – o puritanismo em particular. Mas "esta performance não é política", adverte Castellucci. É uma peça-reflexão sobre comunicação, religião e sentido de comunidade. E sobre o que acontece quando a dúvida sacode o dito puritanismo.

LISBOA Teatro Municipal São Luiz
De 23 a 25 de Fevereiro. Sexta e sábado, às 21h; domingo, às 17h30.
Bilhetes de 11€ a 22€

 

PÚBLICO -
Foto
Bruno Simão

Teatro
Sócrates Tem de Morrer… outra vez

Mickaël de Oliveira estreia em Guimarães o segundo capítulo do díptico teatral que criou inspirado nos últimos dias de vida de Sócrates, o filósofo grego (com possíveis leituras políticas na actualidade). Em Sócrates Tem de Morrer: A Vida de John Smith, o ancião reencarna na modernidade, para descobrir com os companheiros como se concretizou – e também como (e se) se pode salvar – o mundo ideal que projectou no primeiro capítulo. Para quem não o viu ou quer rever, Sócrates Tem de Morrer: A Morte de Sócrates também é levado à cena. Albano Jerónimo assegura o papel principal, contracenando com Ana Bustorff, John Romão, Miguel Moreira, Paulo Pinto, Pedro Gil, Pedro Lacerda, Raquel Castro e Solange Freitas.

GUIMARÃES Centro Cultural Vila Flor
Dias 23 (primeiro episódio) e 24 de Fevereiro (segundo episódio e conversa pós-espectáculo com Mickaël de Oliveira), às 21h30.
Bilhetes a 7,50€ (uma peça) ou 10€ (duas peças)