Ritmo da economia no final de 2017 melhora expectativas para 2018

Portugal voltou no quarto trimestre de 2017 a crescer mais do que a zona euro, depois de um interregno de dois trimestres. Será este o ritmo a seguir durante este ano?

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PAULO PIMENTA

Depois de dois trimestres de crescimento mais moderado, a economia portuguesa voltou, nos últimos três meses de 2017, a apresentar um ritmo elevado que, não só permitiu que as estimativas do Governo para o ano passado fossem superadas, como cria a expectativa de que os resultados deste ano possam vir a ser mais favoráveis do que o esperado.

De acordo com os dados relativos ao quarto trimestre de 2017 divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o PIB português cresceu 0,7% face ao trimestre imediatamente anterior. Este ritmo de crescimento supera os 0,3% e os 0,5% que tinham sido atingidos no segundo e terceiro trimestres de 2017, respectivamente, regressando o país a valores mais próximos do que se tinham verificado na segunda metade 2016 e no arranque de 2107, quando a economia entrou numa fase de forte aceleração.

O resultado ficou acima das expectativas, não só de entidades como a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional, mas também do próprio Governo, que previam para o total de 2017 um crescimento de 2,6%. Afinal, com a aceleração dos meses finais, a economia cresceu um pouco mais em 2017: 2,7%, o melhor resultado desde o ano 2000.

Quando se compara os dados do quarto trimestre de 2017 com o mesmo período do ano anterior, a variação do PIB é de 2,4% um resultado que fica ligeiramente abaixo dos 2,5% do terceiro trimestre e que se explica pelo facto de no final de 2016 se ter assistido a uma aceleração ainda mais forte que a actual.

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Para o futuro, a nova aceleração da economia dá, no meio de uma conjuntura económica com diversos riscos, alguns motivos para optimismo. O facto de Portugal ter conseguido passar de um crescimento de 0,3% no segundo trimestre para 0,5% no terceiro e para 0,7% no quarto faz elevar as expectativas em relação a qual pode ser, a partir de agora, o comportamento da economia portuguesa.

Quando apresentou o Orçamento do Estado para 2018 em Outubro, o Governo assumiu que, depois de um crescimento de 2,6% em 2017, a economia iria abrandar para 2,2% no ano seguinte. A Comissão Europeia, por exemplo, era um pouco mais pessimista, projectando uma variação do PIB de 2,1% em 2018.

Nestes dois casos, aquilo que se estava a assumir com estas expectativas eram taxas de crescimento trimestrais ao longo do ano de 2018 em torno de 0,5%.

Pelo contrário, se a economia portuguesa conseguisse replicar nos quatro trimestres de 2018 o mesmo ritmo de crescimento registado no final de 2017 (0,7%), a taxa de crescimento anual poderia situar-se nos 2,6%, isto é, aproximando-se do nível atingido no ano passado.

A diferença entre um ritmo mais moderado como o registado no terceiro trimestre e um ritmo mais acelerado como o do quarto é também a diferença entre Portugal conseguir ou não garantir o regresso da convergência face aos parceiros da zona euro.

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Os resultados agora conhecidos em Portugal e também no resto da União Europeia, confirmaram que a economia portuguesa conseguiu no total de 2017 apresentar uma taxa de crescimento superior à da média da zona euro: 2,7% face a 2,5%. Desde o ano 2000 até agora, a única vez que Portugal tinha conseguido um desempenho económico superior ao dos seus parceiros europeus tinha sido em 2009, quando o PIB caiu 3%, um valor mesmo assim menos negativo do que a queda de 4,5% da zona euro.

No entanto, quando se olha para as taxas de crescimento trimestrais, torna-se evidente que esta convergência está longe de estar assegurada. Se no primeiro trimestre do ano, a economia portuguesa cresceu 0,9% e a da zona euro 0,6%, nos dois trimestres seguintes, Portugal não conseguiu acompanhar a aceleração europeia: na zona euro a economia cresceu 0,7% nos dois trimestres e a portuguesa 0,3% e 0,5%, fazendo antecipar que a convergência portuguesa tinha sido um fenómeno de curta duração.

No quarto trimestre, contudo, Portugal voltou a cresceu mais do que a média europeia: 0,7% contra 0,6%. A dúvida será agora se será capaz de manter este desempenho nos próximos trimestres.

Os dados agora divulgados pelo INE são os primeiros conhecidos para o quarto trimestre de 2017 e, por isso, não contam ainda com informação detalhada sobre a evolução das várias componentes do PIB. De qualquer forma, a autoridade estatística dá conta de um aumento do contributo das exportações para o crescimento, que compensa uma diminuição do contributo proveniente do consumo e do investimento.

A nota do INE assinala que “o contributo positivo da procura interna para a variação homóloga do PIB diminuiu, em resultado do abrandamento do investimento e do consumo privado” e que, “em sentido oposto, o contributo da procura externa líquida foi positivo”, em resultado da aceleração das exportações e da desaceleração das importações.

Quando se olha para a variação em cadeia do PIB, a conclusão é a mesma. O contributo da procura externa líquida (exportações menos importações) “passou de negativo a positivo”, diz o INE, assinalando que o contributo da procura interna diminuiu “devido sobretudo ao abrandamento do consumo privado”.

Em relação à totalidade do ano, o INE assinala que a grande diferença em relação a 2016 esteve no investimento, que acelerou de forma acentuada face ao que tinha acontecido em 2016. O consumo também acelerou, embora de forma menos acentuada, enquanto o contributo da procura externa líquida se manteve inalterado.