Coreia do Sul paga despesas do comité olímpico norte-coreano

Muitos sul-coreanos não concordam com a presença da Coreia do Norte nos Jogos, que consideram ser uma ferramenta de propaganda para o regime.

Kim Yo-jong com a delegação que visitou a Coreia do Sul para a cerimónia de abertura
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Kim Yo-jong com a delegação que visitou a Coreia do Sul para a cerimónia de abertura LUSA/KCNA

A Coreia do Sul aprovou um plano de orçamento destinado a pagar as despesas do Comité Olímpico norte-coreano nos Jogos Olímpicos de Inverno. Em causa estão as despesas da Coreia do Norte em alojamento e alimentação, orçamentadas em 2,14 milhões de euros, que serão pagas pelo Ministério da Unificação da Coreia do Sul, segundo a BBC.

As despesas incluem não só a deslocação e estadia de atletas e dirigentes, mas também de mais de 400 apoiantes, artistas e funcionários de alto nível. De acordo com a Reuters, a maioria dos norte-coreanos em visita ficaram em hotéis de luxo, perto de Pyeongchang. Os custos relacionados com os 22 atletas norte-coreanos serão cobertos pelo Comité Olímpico Internacional.

Esta quarta-feira, o ministro da Unificação da Coreia do Sul, Cho Myoung-gyon, descreveu a participação da Coreia do Norte como uma porta aberta para a paz na península, cita a agência sul-coreana Yonhap.

O anúncio da participação da Coreia do Norte na competição olímpica foi feito após a primeira reunião em mais de dois anos entre as duas Coreias, realizada no início do ano, em Panmunjom, uma aldeia em plena zona desmilitarizada, local onde foi assinado o armistício de 1953 que terminou com os combates da Guerra da Coreia. A confirmação da presença de uma delegação norte-coreana aconteceu num período de particular tensão.

A visita da delegação da Coreia do Norte é controversa, uma vez que muitos sul-coreanos duvidam das verdadeiras intenções de reconciliação do regime norte-coreano. Estes sul-coreanos criticam o palco dado à Coreia do Norte para exibir a propaganda do seu regime.

Alguns críticos dizem que a Coreia do Norte poderá estar a usar os Jogos Olímpicos para lançar o que chamam de "ofensiva da paz", com o objectivo de transmitir a imagem de um país normal, apesar do seu regime opressivo, do seu programa nuclear e das ameaças ao Ocidente.

Entre os norte-coreanos de visita está a irmã de Kim Jong-un. Kim Yo-jong, considerada a número dois do regime norte-coreano, almoçou com o Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, na última semana, depois de assistir à abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang.