Opinião

Comprar um café com emissões de CO2 poupadas? Sim, é possível e para já

Poucos quererão ficar de fora de uma revolução iminente e absolutamente necessária.

Ir diariamente de bicicleta para o trabalho e ter acesso a minutos de estacionamento. Comprar um café com emissões de CO2 poupadas em atividades do dia-a-dia. Chamar um táxi elétrico e ver a sua fatura reduzida. Este tipo de situações serão uma realidade em breve. A proposta, parecendo à partida exótica, significa na prática que escolhas ambientalmente conscientes têm valor económico e poderão ser trocadas por produtos e serviços. O primeiro passo foi dado quando passámos a ser capazes de medir as emissões de CO2 poupadas nas nossas atividades diárias.   

Tome as calorias como exemplo. Se quiser perder peso, terá de controlar as calorias ingeridas. Como o poderá fazer, se não as conseguir contabilizar? O mesmo se aplica ao ambiente e às emissões de CO2. Podemos não ter consciência disto, mas em termos teóricos e, infelizmente, cada vez mais com consequências práticas, qualquer atividade corriqueira tem uma consequência climática: encomendar comida para o domicílio ou comprar um novo par de sapatos, decidir um destino de férias ou escolher um frigorifico. As nossas decisões diárias deixam uma pegada ecológica. Logo, escolhas sustentáveis devem implicar benefícios, da mesma forma que se ingerirmos produtos mais saudáveis pagamos menos impostos.

O Comércio Internacional de Licenças de Emissão, vulgarmente conhecido como Mercado de Carbono, abriu caminho para que as emissões poupadas pudessem ser valorizadas financeiramente. O desafio, atual, é trazer essa realidade para o dia-a-dia das populações e juntar parceiros, empresas, organismos, que têm a sustentabilidade como um dos seus principais pilares de inovação, e dar um contributo estratégico em linha com as metas do Acordo de Paris.

A transação de créditos sobre poupanças de CO2 deverá, numa primeira fase, promover hábitos de mobilidade de baixo carbono benéficos para o ambiente. Considerando que nos centros urbanos 40% das emissões de gases com efeito de estufa resultam de atividades associadas à mobilidade, este é um ponto de partida evidente. Para que, num futuro próximo, poupanças de CO2 resultantes das mais diversas atividades possam vir a ser transformadas genericamente em valor transacionável. Nesse momento, estaremos a colocar efetivamente um preço no carbono ao nível do quotidiano.

O crescimento destes créditos verdes estará dependente de uma mudança comportamental, que será valorizada pela rede de parceiros que aceitem esta forma verde de pagamento. Mas os sinais já estão a ser dados e poucos quererão ficar de fora de uma revolução iminente e absolutamente necessária. É uma evidência que, ao trocarmos bens e serviços por créditos de emissões de CO2 poupadas no nosso dia-a-dia, estamos a ganhar em duas frentes.

O autor escreve segundo o novo Acordo Ortográfico