O gosto pelos jogos loucos faz história em Liverpool

Ingleses têm um longo currículo de encontros com reviravoltas improváveis.

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REUTERS/Kai Pfaffenbach

Há poucas semanas, o Liverpool, ainda a fazer o “luto” pela partida de Philippe Coutinho, sofreu três golos da melhor linha avançada da Liga inglesa, mas compensou com os quatro que marcou ao Manchester City, que tem a defesa mais cara: um espectáculo, o 4-3, em Anfield Road. Na primeira grande vitória internacional depois da fatídica noite de Heysel Park, noutro jogo de loucura, os “reds” sofreram quatro golos na final da Taça UEFA de 2001, em Dortmund, mas, mesmo assim, ganharam a taça. Uma proeza digna de um clube com especial apetência para jogos loucos.

Aos 17 minutos do embate com os espanhóis do Alavés, um surpreendente finalista europeu sem a plumagem que adorna o emblema do Liverpool, os ingleses já ganhavam por 2-0 e sentiam um certo conforto, ao terminarem a primeira parte a vencer por 3-1. O jogo tornou-se inesperadamente alucinante quando o Alavés chegou ao empate, em seis minutos. O melhor, porém, estava ainda para vir quando, aos 89’, os dois contendores se voltaram a encontrar em nova situação de embaraçante igualdade (4-4).

Os ingleses apanharam um grande susto e prepararam-se para o pior. Chegaram ao prolongamento com menos um dos seus, situação que durou até à expulsão de um dos adversários, Carmona, até que se deu o milagre. Foi com um golo na própria baliza, aos 117 minutos, um belo remate de cabeça de Geli, para o lado errado, que o Liverpool ganhou o jogo, por uns generosos 5-4.

Os "reds" acabaram por ser felizes nesses tempos em que chegaram aos 18 títulos de Inglaterra, mas não passaram dali. Há 18 anos que continuam a sonhar com uma nova vitória na Premier League, só que os resultados não deram para ir além do segundo lugar. Com Rafa Benítez no comando, quando chegou a ter no grupo oito jogadores espanhóis, o Liverpool voltou a enriquecer o seu museu com nova Taça dos Campeões e a história de mais um feito que parecia impossível. 

Na final de 2005, realizada em Istambul, o Milan, conduzido por Carlo Ancelotti, chegou ao intervalo a vencer por 3-0. Os ingleses ficaram incomodados com os gritos e cantilenas festivas dos italianos e espumavam de raiva. Em seis minutos, no entanto, puseram tudo em pratos limpos e prepararam o jogo para o prolongamento e também para o desempate por grandes penalidades. Ainda houve lugar para nova igualdade, mas Shevchenko acabou por “entregar” a taça ao Liverpool: um grande momento para cantar o “You’II never walk alone” já de madrugada, no Ataturk  Stadion.

A longa história do clube regista vários outros jogos alucinantes, mas releva com particular ênfase a década das grandes vitórias, a de 1970. Nesse período o Liverpool ganhou duas Taças dos Campeões e abriu caminho para mais duas nos anos oitenta. Kevin Keegan, Ray Clemence e McDermott, e mais tarde de Dalglish e Graeme Souness são alguns dos nomes importantes dessas campanhas gloriosas.