Gulbenkian vai lançar concurso de ideias para ampliar jardim

Um dos mais emblemáticos jardins de Lisboa vai crescer quase dez por cento. A ampliação passa por dar uma nova porta ao antigo CAM.

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Um dos objectivos principais da ampliação passa por criar uma nova entrada para o antigo CAM na rua Marquês da Fronteira

As fundações Gulbenkian e Eugénio de Almeida estão em negociações para concretizar a fronteira entre os terrenos que as duas instituições têm em Lisboa e que são contíguos ao actual Jardim Gulbenkian. Só depois de estabelecido esse limite, que permitirá ao jardim crescer dez por cento em área, é que a Fundação Gulbenkian poderá lançar um concurso de ideias que vai permitir juntar os dois terrenos e alterar drasticamente a forma como se faz actualmente a entrada para o antigo Centro de Arte Moderno (CAM).

O objectivo da Gulbenkian é lançar um concurso de arquitectura e de paisagismo nos primeiros seis meses do ano. O concurso será internacional e feito por convite directo aos arquitectos, explicou ao PÚBLICO Elisabete Caramelo, porta-voz da fundação.

O terreno que permitirá a ampliação do Jardim Gulbenkian em quase 8000 metros quadrados – actualmente o parque do centro cultural tem 7,5 hectares – foi comprado em 2005 a Maria Teresa Eugénio de Almeida. Ficou acordado, então, que a viúva de Vasco Eugénio de Almeida, o criador da fundação alentejana, mantinha até à sua morte o usufruto deste terreno, que é o actual jardim da Casa de Santa Gertrudes, o pequeno castelo que entrevemos através dos muros contornados pelas ruas Marquês da Fronteira, Dr. Nicolau Bettencourt e Marquês Sá da Bandeira.

“A Gulbenkian comprou parte do terreno da casa e o remanescente é da Fundação Eugénio de Almeida. O diálogo para acertar a divisão do destaque, que é o termo jurídico correcto, está a decorrer com muita naturalidade”, disse ao PÚBLICO Maria do Céu Ramos, secretária-geral da Fundação Eugénio de Almeida, que tem em Évora o centro da sua actuação. 

É a morte de Maria Teresa Eugénio de Almeida, ocorrida no Verão do ano passado, que permite agora dividir definitivamente as águas entre as duas instituições, ficando a Fundação Eugénio de Almeida com a Casa de Santa Gertrudes, conforme estava previsto no testamento de Vasco Eugénio de Almeida. Quanto à dimensão do terreno junto à casa que pertence à fundação, a secretária-geral não adianta pormenores, uma vez que as negociações estão ainda a decorrer.

Quando o terreno foi comprado no final de 2005 por Rui Vilar, na altura presidente da Gulbenkian, o objectivo era salvar das pressões imobiliárias a última parcela do Parque de Santa Gerturdes, o nome original do local onde se implantou a maior fundação portuguesa. A ideia era também repor uma ideia de Gonçalo Ribeiro Telles, arquitecto paisagista do Jardim Gulbenkian, que sempre defendeu a unidade do Parque de Santa Gertrudes.

Ao mesmo tempo, a Gulbenkian pensou que poderia mitigar os efeitos da implantação original do antigo Centro de Arte Moderna, actual Colecção Moderna do Museu Gulbenkian, que tem uma entrada escondida na rua Dr. Nicolau Bettencourt. Um dos objectivos principais da ampliação passa por criar uma nova entrada para o antigo CAM na rua Marquês da Fronteira, na meia laranja actualmente virada ao Palácio de São Sebastião, sede do antigo Governo Militar de Lisboa. Uma entrada mais desafogada, que dê à Gulbenkian uma nova visibilidade para quem chega pelos armazéns do Corte Inglés.

Isabel Mota, a nova presidente da Gulbenkian, referiu na sua mensagem de início do ano “a reunificação do Parque de Santa Gertrudes”, ocorrida no final de 2017: “Vai permitir à fundação abrir, ainda este ano, um concurso de ideias para o seu desenvolvimento, que irá dotar o Parque Gulbenkian de um novo eixo central, com uma nova entrada pela rua Marquês de Fronteira.”

Além de unir os dois jardins, os arquitectos terão de propor soluções para resolver a fachada cega que actualmente o Museu Gulbenkian-Colecção Moderna tem a sul. Se se voltar aos objectivos de 2007, ao mesmo tempo que se reorganizava por dentro o antigo CAM, havia também a ambição de separar as três áreas de exposição, temporárias e permanente, porque as montagens obrigam ao encerramento dos espaços que estão ao lado.

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