Açores

Crise sísmica pode prolongar-se por “dias ou meses”

Centenas de abalos de magnitude reduzida estão a ser sentidos na ilha de São Miguel. Presidente do IPMA apela à população para seguir as indicações da Protecção Civil e não basear a sua conduta na avaliação pessoal do perigo.
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Paulo Pimenta

“Algumas” centenas de sismos de magnitude reduzida estão a ser registados desde as 2h53 desta segunda-feira na ilha de São Miguel, Açores, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). De acordo com o geofísico e presidente do IPMA, Miguel Miranda, trata-se de uma “crise sísmica” que se poderá prolongar “durante dias ou meses”, com diferente magnitude e intensidade.

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Ao início da manhã, a Lusa dava conta de 130 sismos. Contactado pelo PÚBLICO, o presidente do IPMA sobe o número para “poucas centenas de sismos”.

“Só o tempo dirá qual será a sua extensão, duração e nível de intensidade”, avaliou o presidente do IPMA, Miguel Miranda. Pela sua localização geográfica, os Açores são uma “região muito activa”, com sismos de baixa magnitude “praticamente todos os dias”. Esta segunda-feira, pelo seu “agrupamento temporal” (ou seja, por estarem a ocorrer em intervalos muito curtos), o IPMA está a tratar os diversos abalos como uma “crise sísmica”. “É uma fronteira de placa reconhecida e tem uma velocidade de extensão entre os quatro e os cinco milímetros por ano. Todos os anos existe um bocadinho mais de extensão, o que leva a uma interacção entre os sistemas vulcânicos e tectónicos que dão origem a uma libertação de energia sobre a forma de pequenos sismos”, completa.

Não obstante, “apesar da persistência” desta crise sísmica, a sua energia e magnitude é reduzida, uma vez que resulta de uma deslocação lenta das placas tectónicas localizadas na região, resultando numa libertação de energia e consequente magnitude sísmica reduzida.

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Ainda assim “há sempre perigo”, alerta o presidente do IPMA. “É preciso seguir as indicações da Protecção Civil sem discussão”, sublinha Miguel Miranda. “As pessoas não devem agir com base na sua avaliação pessoal da existência ou não de perigo. Devem seguir à regra todas as indicações das autoridades.”

Protecção Civil apela a cuidados

A população não deve "acender fósforos nem isqueiros, pois pode haver fugas de gás", deve observar se a casa sofreu danos graves e sair imediatamente se suspeitar que não oferece condições de segurança", refere o Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) em comunicado. A Protecção Civil recomenda também que em caso de dúvida sobre a integridade dos circuitos de gás, electricidade ou água, estes devem ser desligados imediatamente.

"Nunca utilize os elevadores, confirme a validade do seu kit de emergência e reveja o seu conteúdo com o seu agregado familiar e verifique se existem feridos e, se necessário, preste os primeiros socorros", indica o serviço de Protecção Civil. É também recomendado à população cuidados a ter com vidros partidos ou cabos de electricidade, a limpar imediatamente os produtos inflamáveis que se tenham derramado e a soltar os animais domésticos.

O Serviço Regional de Protecção Civil pede ainda a população que se afaste das praias porque pode ocorrer uma onda gigante (tsunami), a ligar o rádio e ficar atento às recomendações difundidas.

Em comunicado, o IPMA informa que desde as 2h53 hora local (3h53 no continente) desta segunda-feira tem sido detectado um aumento da actividade sísmica na região do Congro (Lago do Congro, Vila Franca do Campo).

Como exemplo, e de acordo com o IPMA, os sismos foram sentidos nas freguesias de Porto Formoso, Rabo de Peixe, Água do Alto e Furnas com magnitudes de 2,7, 3,0, 3,2, 3,2 e 3,1, respectivamente, entre as 3h06 e 4h05. Posteriormente, foram sentidos mais sismos nas zonas da Ribeira Seca (freguesia de Vila Franca do Campo) e em São Brás (freguesia da Ribeira Grande) com magnitudes a variar entre 2,9 e 3,2, respectivamente. O IPMA adianta ainda que serão espectáveis mais sismos sentidos naquela zona.

Contactada pela agência Lusa, uma fonte do Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores disse que os serviços receberam alguns pedidos de informação sobre os abalos, mas "sem alarmismos, porque esta situação não é nova para os açorianos". A mesma fonte adiantou que o Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores está a acompanhar a situação, encontrando-se de prevenção.

O CIVISA indica que continua a acompanhar o evoluir da actividade, emitindo novos comunicados se a situação o justificar. O Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores recomenda à população que mantenha a calma e conte com a ocorrência de possíveis réplicas.