Crónica

Vivam os Starcrawler

A música rápida, barulhenta e elegante dos Starcrawler faz lembrar o primeiro impacto dos Ramones.

Uma das preguiças da música popular é ir atrás das etiquetas. Cresci à sombra da Rough Trade — estava lá no armazém quando chegou uma cassete de Laurie Anderson a cantar O Superman — e devo-lhes muitos prazeres.

Foi por isso que comecei a gostar dos Starcrawler, uma banda rock de Los Angeles cujo primeiro álbum acaba de sair. A vocalista, Arrow de Wilde, faz lembrar David Bowie, Chrissie Hynde e todos os Ramones.

São muito bons. Como veterano da música estou condenado a registar repetições. A música rápida, barulhenta e elegante dos Starcrawler faz lembrar o primeiro impacto dos Ramones: é igualmente bem-vinda, como uma purga das pretensões contemporâneas de musicalidade.

O humor dos Starcrawler está patente no video de I Love LA: a introdução é deliciosa. Mas não é só isso. Tal como no magnífico Husbands das Savages de 2013 há uma selvajaria gratuita e pura que não se via desde a desinibição dos primeiros Sex Pistols.

Estaremos à beira de um novo Punk? Bem precisamos. A música — nem mesmo em 1975 — nunca esteve tão satisfeita como está hoje com a própria podridão.

Arrow de Wilde é uma vocalista exímia, cheia de humor e de crítica. Acontece que é muito alta e muito magra. Será um crime tirar proveito disso? Tem 18 anos mas já a acusam de promover uma estética anoréxica que é elitista, impossível e perigosa.

Ainda agora começou — repito: tem 18 anos - e já a querem reprimir, repreender e culpar? Ouçamos e vivamos os Starcrawler enquanto ainda são novos e jovens — e novos.