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“Will you marry me... in Portugal?”

Os casamentos de luxo de estrangeiros em Portugal estão a aumentar e a tornar-se uma forte tendência de negócio. Os nubentes são sobretudo brasileiros, irlandeses e ingleses, que querem dar o nó em cenários de sonho. As regiões de Lisboa, Algarve e Douro estão entre as preferidas dos clientes, que muitas vezes compram casamentos em Portugal sem nunca terem visitado o país. As cerimónias resultam num diversificado leque de serviços regularmente vendidos nos países de origens dos noivos.
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Miguel Feraso Cabral

Os olhos verdes da irlandesa Gillian Marshall não descolam da entrada da sala, à procura do noivo. Está a ser maquilhada e os seus cabelos ruivos são penteados como se fosse casar dentro de poucas horas. Ainda falta meio ano, no entanto, já fez as provas no White Impact Wedding Show, em Dublin, Irlanda, numa iniciativa das portuguesas Paula Grade e Karina Sousa para acertar todos os pormenores do casamento no Algarve. O casal irlandês não é o único a escolher Portugal para casar. Nos últimos nove anos, o número duplicou, confirmando uma tendência de turismo e de negócio. 

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Só no ano passado, o Ministério da Justiça registou 1131 casamentos de estrangeiros, mais do dobro dos 530 ocorridos em 2008. Em 2016, houve 890. São precisamente os irlandeses que surgem em segundo lugar no top 10 das nacionalidades de noivos que casaram em Portugal, em 2017, depois dos brasileiros. Seguem-se os alemães, ucranianos, ingleses, russos, polacos, italianos, cabo-verdianos e franceses — estes dados também incluem estrangeiros residentes em Portugal, mas excluem, por exemplo, os que assinam os papéis nos seus países de origem e chegam a Portugal para fazer as chamadas “cerimónias simbólicas” ou bênçãos, como Déborah e David Ryan, de 36 e 37 anos, respectivamente, fizeram há três anos, num hotel em Albufeira, no Algarve. Primeiro casaram na Irlanda e depois fizeram viajar cerca de uma centena de convidados até Portugal para uma cerimónia concebida pelas organizadoras de casamentos (wedding planners, em inglês) Paula Grade e Karina Sousa e que custou 25 mil euros.

Déborah e David Ryan nem sequer conheciam o país, só tinham visto fotografias. “Temos um amigo que casou em Vilamoura e disse maravilhas, de como o país era bonito e o tempo maravilhoso!”, conta David ao P2, encostado ao balcão de um bar de Dublin, enquanto espera pela actuação de duas das bandas portuguesas que as organizadoras de casamento levaram consigo à feira de casamentos. Paula Grade e Karina Sousa organizam este encontro há uma década, numa sala de hotel, na capital irlandesa, durante dois dias. Foi ali que o casal as encontrou, há alguns anos, no mesmo espaço onde conheceram dezenas de fornecedores que viajam com as wedding planners — de grupos hoteleiros a agência de viagens, passando por profissionais de fotografia e vídeo, catering, decoração, entretenimento, assim como de cabelos e maquilhagem. Só em finais de Janeiro deste ano, a dupla levou 32 fornecedores e pela primeira vez o designer de noivas Gio Rodrigues. Durante dois dias, a dupla de organizadoras de casamentos recebeu 180 casais de noivos e ofereceu cinco luas-de-mel.

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"[O casamento de estrangeiros] é um mercado em expansão e com potencial de crescimento elevado", diz António Manuel Brito, fundador da Exponoivos taniaafonsophotography.pixieset.com

Paula Grade ainda se lembra da organização do casamento dos Ryan. “Convenci-os a ir conhecer o Algarve”, conta. “E fomos! Ficámos rendidos a Albufeira”, recorda Déborah, cabelo loiro e olhar azul-claro. E mais ainda quando viram o hotel. “Foi amor à primeira vista”, continua a irlandesa, com um enorme sorriso. Saíram de lá com o casamento marcado. Meses depois de muitos preparativos, provas e reuniões, voaram outra vez para Portugal para celebrar o matrimónio e os cem convidados ficaram de férias durante 15 dias.

Não foram os únicos, avança Paula Grade, que já planeou o casamento de mais de mil estrangeiros na última década, acrescentando que muitos irlandeses e ingleses fazem o mesmo, contribuindo para a economia e turismo da região. O Turismo de Portugal não tem números de quantos estrangeiros viajam para Portugal para casar e de quanto gastam no país. “Apenas contabilizamos as dormidas e hóspedes no país”, justifica Jorge Ambrósio, director de comunicação do Turismo de Portugal.

“Consegue-se promover e colocar Portugal no mapa”, defende Karina Sousa. Por isso, as sócias mantêm a estratégia de fazer eventos não só na Irlanda, mas também em Inglaterra, em Londres, onde estarão ainda este mês para conquistar mais noivos e limar todos os pormenores com os que já têm casamentos marcados. As sócias da White Impact não são as únicas a promover os casamentos em Portugal. Carla Valentim e Noélia Jacinto, da Sonho a Dois — Algarve Weddings & Events, em Faro, vão estar até este domingo em Manchester a conquistar noivos para a região.

Nestes eventos, os noivos aproveitam para escolher os fornecedores e fazer provas de cabelo e maquilhagem, como Gillian Marshall, que viajou duas horas de carro desde Cork, onde vive, até Dublin, para ultimar os preparativos. O “sim” será dado em Julho, numa cerimónia civil, num hotel em Albufeira, junto ao mar.

Brasileiros à conquista

Segundo os 250 wedding planners registados em Portugal, inquiridos pela plataforma internacional de casamentos Zankyou, verificou-se um aumento do número de casamentos de estrangeiros no país, nos últimos dois anos, e a tendência é de crescimento entre os casais brasileiros. Segundo Cristiana Simões, country manager da Zankyou Portugal, a maior percentagem continua a ser dos noivos britânicos (60%), segue-se o Brasil (13%), Angola (7%), Alemanha (6%), Holanda (5%), França (5%) e outros países (6%). O Algarve, que continua a ser a opção dos noivos oriundos do Reino Unido, Lisboa (com destaque para Sintra e Cascais) e a zona do Douro são as regiões mais escolhidas para casar. O mercado brasileiro preferencialmente opta por Lisboa ou Douro.

No âmbito do mesmo inquérito, os organizadores de casamentos afirmaram que 69% dos casais escolheram Portugal através de sites especializados como o Zankyou, que existe desde 2007, está presente em 23 países, tem mais de 350 mil noivos registados por ano e mais de 50 milhões de visitas anuais de noivos que procuram um directório de empresas, fornecedores, ferramentas e conteúdos para planear o seu casamento. Muitas vezes, a plataforma serve de ponte entre os organizadores e os noivos. Aliás, cabe a estes profissionais o mérito de contribuírem para despertar o interesse dos estrangeiros por Portugal, avalia António Manuel Brito, fundador da Exponoivos, criada há 24 anos para divulgar fornecedores junto dos noivos em Lisboa e no Porto, no início de cada ano. “É um mercado em expansão e com potencial de crescimento elevado.”

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Paula Grade e Karina Sousa organizam um encontro relacionado com casamentos em Dublin, Irlanda, há uma década. Com elas viajam dezenas de fornecedores, dos hotéis à maquilhagem Paulo Pradela/paulopradela.pt

E se muitos organizadores de casamentos descobriram o mercado irlandês e inglês, António Manuel Brito quer apostar no brasileiro. Para isso, já começou a fazer contactos com wedding planners daquele país para promover Portugal como destino para casamentos de luxo. Pretende mostrar-lhes palácios, castelos e quintas, que são os locais que os brasileiros mais têm procurado.

Além disso, identificam-se com a língua, a gastronomia, a hospitalidade, o profissionalismo e a segurança, enumera o responsável da Exponoivos. Cristiana Simões, da Zankyou, confirma que “o mercado brasileiro destaca a segurança do país e reafirma que os valores [para fazer um casamento] são muito mais baixos em Portugal”. António Manuel Brito informa que um casamento de luxo pode custar menos 30% a 40% em Portugal comparativamente ao Brasil, porque não requer segurança privada nem geradores de energia, por exemplo.

O sonho de Gillian

O que procuram os estrangeiros em Portugal? Os 250 organizadores de casamentos inquiridos pela Zankyou dizem que os principais motivos para escolher Portugal são: a relação qualidade/preço, o clima, a gastronomia, a localização (fácil acesso aéreo ou terrestre) e a beleza do país. “Também a facilidade dos processos legais, o ser permitido casamentos civis em vários espaços e praias, e o facto de ser possível o casamento homossexual foram motivos apontados para a escolha de Portugal”, adianta Cristiana Simões, da Zankyou.

“Sempre quis casar fora daqui e levar os convidados todos de férias”, responde a irlandesa Gillian Marshall, enquanto lhe ondula mais um pouco o cabelo ruivo na feira em Dublin. O noivo Brian McMahon junta-se à conversa: “Temos 80 convidados que ficam depois de férias a aproveitar o bom clima, as maravilhosas praias e paisagens lindíssimas, o bom vinho e excelente gastronomia.” Se fica caro? “Sim, fica”, sorri, e pisca o olho à noiva com um enorme sorriso, “afinal, só casamos uma vez. Não é?”. Ela solta uma gargalhada.

Esta tendência de crescimento dos casamentos estrangeiros também é realçada pelo padre Miguel Neto, director do sector da Pastoral do Turismo da Diocese do Algarve. Só nesta diocese, Neto e outros cinco padres já testemunharam, em 2017, cerca de duas centenas de casamentos católicos na língua de origem dos noivos — o casamento é o único sacramento da Igreja Católica que é celebrado pelos noivos e não pelo sacerdote. “Já assisto a casamentos em língua inglesa desde 2009, a maioria dos casais oriundos do Reino Unido e da Irlanda”, conta Miguel Neto.

Na diocese, cabe àquele sacerdote fazer a ponte com os organizadores e, nesse âmbito, preparou uma formação sobre quais os procedimentos para um casamento religioso, nomeadamente os cursos de preparação para o casamento. “A Irlanda é dos países mais católicos. Nesse caso, posso assegurar que o curso de preparação para o matrimónio é muito rigoroso nas dioceses da República da Irlanda”, justifica. Miguel Neto costuma integrar a equipa que viaja com Paula Grade e Karina Sousa até Dublin, para falar com os noivos. Este ano não pôde ir, mas vai explicando que “toda a preparação dos casamentos católicos é responsabilidade da paróquia de origem do casal. Mas, sempre que possível, há uma preparação prática com o sacerdote que irá assistir ao casamento católico na diocese do Algarve, uns dias antes da celebração”.

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O padre Miguel Neto é director do sector da Pastoral do Turismo da Diocese do Algarve e costuma celebrar casamentos na língua de origem dos noivos Vasco Célio/Stills

Mas também há quem opte por, entre os convidados, incluir o sacerdote. É o caso da inglesa Katherine Edwards, 27 anos, e do irlandês David Tansey, 29. Quando casarem, em Outubro, em Tavira, terão um padre irlandês a testemunhar. “Acontece muitas vezes o casal ter um padre muito amigo da família”, justifica Miguel Neto. Katherine e David casarão em Portugal porque é onde passam férias desde pequenos. “A minha família vive em Inglaterra e a do David na Irlanda; e assim reunimos todos, em Portugal”, revela a noiva, que conheceu o futuro marido na universidade há uma década e são ambos médicos num hospital de Dublin. “Vão ser umas grandes férias para nós e para os 140 convidados”, antecipa o noivo.

Se Katherine e David conhecem o Algarve, Gillian e Brian só conhecem o que viram na Internet e nas imagens partilhadas por Paula Grade e a Karina Sousa. Só de pensar que o casamento está para breve, Gillian não se contém de felicidade, enquanto a cabeleireira lhe dá mais um jeito nos cabelos. A noiva escolheu um penteado mais solto mas, por norma, conta Manuela Gamboa, uma das cabeleireiras que voaram do Algarve para Dublin, “pedem os cabelos apanhados”. Depois da noiva, Manuela costuma arranjar o cabelo da mãe da noiva e das damas de honor.

Escolher o que vestir e o que ouvir

Sem saírem da sala do hotel, Gillian e Brian escolheram o fotógrafo, o hotel e o catering. O vestido já está tratado, a noiva comprou-o em Boston, EUA, por intermédio do irmão que lá vive, mas não resiste a olhar para a dezena de vestidos que Gio Rodrigues levou e que são “perfeitos para casar à beira-mar”, descreve o designer, que levou uma linha “romântica, mais inocente, mas provocante e sensual”. Para os noivos, Gio Rodrigues levou fatos em tons bege e azul. O designer já tem agendadas provas em Portugal com alguns noivos irlandeses e lembra que tem tido alguma procura por parte das noivas inglesas, brasileiras e angolanas.

Também Cathy Brady, 32 anos, e Gene Murray, 36, foram ao White Impact Wedding Show ultimar os preparativos para o seu casamento, que será em Maio, no Algarve, e nada pode falhar. Depois de terem escolhido quase tudo, ficaram indecisos quanto à banda que vai animar a festa. “O irlandês gosta muito de festas até tarde, muita música e também de bar aberto”, descreve Paula Grade. Já os ingleses são mais formais. “Para um inglês, é muito importante a decoração e o ambiente do casamento. Procuram muito as Pousadas de Portugal e quintas em Lisboa e no Algarve, enquanto os irlandeses procuram mais hotéis à beira-mar e restaurantes”, acrescenta.

O casal deixou a decisão para depois do jantar, quando forem assistir à actuação dos grupos num pub de Dublin. É no bar que o P2 os conhece, num ambiente animado enquanto esperam que Mafalda Castro, 27 anos, dos Sun Lovers Algarve Band, ou Tiago Rodrigues, 25 anos, vocalista do 5EX Band, lhes conquistem o ouvido. A eles e a outros noivos mais indecisos.

As bandas têm o bar cheio, a torcer por elas. Mafalda foi a primeira a agarrar o microfone com um à-vontade de quem já anda nestas andanças há muito. Trocou uma carreira na área das análises clínicas e saúde pública, em que se licenciou, pela animação de casamentos, sobretudo de irlandeses, além de eventos de empresas. E vale a pena? “Então não vale? É muito trabalhoso, mas é tão especial, porque estamos a ajudar a tornar maravilhoso o dia do casal”, responde a cantora, com um enorme sorriso.

Pouco depois é a vez de Tiago Rodrigues, dos 5EX Band, pôr o bar a mexer e os casais a dançar na pista. Ficou conhecido por se ter destacado num programa televisivo de talentos na Alemanha. Adora o que faz, ainda que ande sempre numa correria entre Lisboa, onde se está a licenciar em Desporto, e o Algarve. Já tem 30 casamentos estrangeiros em carteira para este ano, maioritariamente irlandeses, seguidos de ingleses e escoceses. “E já temos agendados cinco para 2019 e um para 2020”, acrescenta, entusiasmado. Mas também se dá o caso de serem contratados para animar casamentos na Polónia, como acontece este ano.

O vocalista Bruno Rochate e o baterista Marcelo Correia da banda Daddy Jack não tocaram desta vez, mas estão em Dublin pelo terceiro ano consecutivo para conversar com casais com casamento marcado e angariar novos noivos. Só em 2017 animaram 15 casamentos estrangeiros resultantes dos contactos que fizeram nesta feira, a grande maioria irlandeses.

Outros fornecedores são unânimes em dizer que vale a pena participar nesta feira. Apesar de fazerem um grande investimento, “traz retorno”, diz o fotógrafo Paulo Padrela, de Lisboa. Reuniu-se com clientes e angariou mais uns quantos. Só no ano passado fez 18 casamentos estrangeiros, sobretudo irlandeses e ingleses, mas também fotografou um egípcio. “Este ano vou duplicar o trabalho. São 17h do primeiro dia do evento e já fechei sete casamentos, dos quais três casam este ano e os restantes em 2019, no Algarve”, conta. Também Catarina Gonçalves, da It´s all about… photography and cinema, já tinha reunido com uma dezena de casais que dão o nó este ano e em 2019. E que estão dispostos a gastar a partir de 1500 euros para ter fotografias como recordação do grande dia. Se quiserem vídeo é o dobro. A empresa é de Lisboa, mas Catarina e a sua equipa correm todo o país. “Só em 2017 fizemos 30 casamentos estrangeiros, desde americanos, ingleses, irlandeses e indianos.”

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Sobre os indianos conta que “são casamentos muito divertidos e coloridos, que podem durar três dias. Os noivos chegam a treinar coreografias e entram na cerimónia a dançar”. E por serem tão diferentes, Karina Sousa resolveu estudá-los para conseguir dar uma melhor resposta aos pedidos.

Hotéis atentos

O negócio dos casamentos com estrangeiros em Portugal é de tal maneira frutífero que as unidades hoteleiras começaram a apostar neste nicho de mercado. Têm departamentos a tratar só desta área e participam em iniciativas como o das organizadoras portuguesas em Dublin. Há alguns anos que os grupos Tivoli e Anantara, e as Pousadas de Portugal participam no White Impact Wedding Show e vêem o número de noivos interessados a crescer: “90% dos casamentos que temos nos hotéis do grupo do Algarve são internacionais”, grande maioria deles irlandeses e ingleses que trazem entre 150 e 300 convidados, conta Carina Ferreira, gestora de vendas e responsável pela promoção de casamentos e de eventos dos hotéis Tivoli e Anantara. Seguem-se depois os holandeses, alemães e franceses.

Também são os ingleses e os irlandeses que surgem no topo da lista das festas de casamentos estrangeiros do Pestana Pousadas de Portugal, nas suas unidades do Algarve, seguidos dos brasileiros, indianos, australianos e americanos. “Com esta moda das wedding planners, há mais casamentos estrangeiros nas unidades do Algarve, Palmela e Arraiolos porque estão a curta distância do aeroporto”, conta Susana Alvarinho, responsável de eventos no Pestana Pousadas de Portugal, que fez um levantamento dos organizadores de casamentos em Portugal e já contactou 80.

Por exemplo, a Pousada de Amares, em Santa Maria do Bouro, perto do Gerês, triplicou o número de casamentos internacionais de 2016 para 2017. “Está na moda. O cliente chega lá e apaixona-se logo. O casamento é uma emoção, trabalho muito o lado emocional”, diz. “Quase metade das festas de casamento nas Pousadas de Portugal são internacionais.” Só em 2017, estas unidades “tiveram 118 casamentos nacionais e internacionais, com aumento de 51% em relação a 2016”, realça. Susana Alvarinho prevê que 2018 seja também um bom ano neste ramo de negócio. 

Já Carina Ferreira acrescenta que os hotéis Tivoli e Anantara, situados em Lisboa, são mais procurados pelos brasileiros, mas assiste-se a um crescimento do mercado americano e indiano. Por norma, os casais indianos vivem no Reino Unido e trazem família da Índia que, depois do grande dia, fica de férias. Os 150 a 300 convidados chegam a ocupar toda uma unidade hoteleira durante o período festivo; e os noivos adoram ter um local só para eles, como o Palácio de Seteais em Sintra, que chega a fechar ao resto do público, tendo em conta que têm 30 quartos. Este grupo hoteleiro lança o desafio: “Fique com um palácio para o seu casamento.” E eles dizem “sim”, sem hesitar.

O negócio é tão rentável que, continua Carina Ferreira, passou a existir formação específica das equipas dos hotéis. Além disso, o grupo Tivoli resolveu apostar nesta área de negócio e em breve vai organizar o segundo Wedding Atelier, no Algarve, depois de a primeira edição em Outubro de 2017 “ter sido um sucesso”. “Aliámo-nos a parceiros de luxo para esse evento”, explica. 

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Catarina Gonçalves/It's all about
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Casal que viajou do Reino Unido no Palácio de Monserrate, em Sintra Catarina Gonçalves/It's all about

Dez mil euros em flores

E quanto podem gastar os noivos na boda? “Gastam, em média, dez mil euros com o nosso espaço, alojamento e catering”, revela Susana Alvarinho. “Os irlandeses e os ingleses privilegiam o bar aberto e gostam muito de festa. Os indianos, por sua vez, têm de ter um catering próprio. Há pousadas que chegam a fechar só para os noivos e convidados. Já os brasileiros dão extrema importância à decoração com flores e investem muito dinheiro, e também querem na mesa de doces muita decoração. Na Quinta da Pacheca, no Douro, por exemplo, há noivos brasileiros que chegam a gastar dez mil euros só em flores, conta Adérito Marques, director de eventos sociais daquela unidade hoteleira. Os brasileiros são precisamente os que mais procuram a quinta para casar pelo registo civil ou para cerimónias simbólicas. “Só em 2017 fizemos 14 casamentos de brasileiros”, conta, explicando que procuram o clima, as vinhas, a natureza, a gastronomia e o facto de o Douro ser património mundial da UNESCO. Em geral, trazem uma centena de convidados e ficam dois ou três dias.

O director de eventos sociais da Quinta da Pacheca já testemunhou os mais diversos tipos de casamentos, como um mais radical com “o noivo inglês que alugou um helicóptero e caiu de pára-quedas na cerimónia”, ou um casamento civil num barco, no Douro. A quinta é ainda muito procurada por noivos da Austrália, Nova Zelândia, Índia, EUA, Canadá e Europa ocidental, que preferem cerimónias ao ar livre, junto à vinha, com mesas de madeira sem toalhas. Só para este ano, a quinta já tem agendados 16 casamentos de noivos vindos do Brasil, a grande maioria, do Canadá, EUA, Holanda, Suíça, Austrália e Índia. Podem gastar entre 20 mil e 25 mil euros com a decoração, buffet, cocktails, ceia e alojamento. A quinta tem um roteiro programado para os noivos e convidados, desde participar na vindima a fazer provas de vinho, showcooking ou passeios de barco entre a Régua e o Pinhão.

Katherine Edwards e David Tansey tencionam gastar 40 mil euros no casamento em Tavira. “A melhor comida, excelentes fotógrafos, banda a tocar, o hotel, etc”, enumera o noivo, enquanto a noiva está a testar a maquilhagem com Marisa Francisco, que tem no seu currículo algumas estrelas da música como Diana Krall e Bryan Adams. “A maquilhagem transmite-lhes segurança num dia em que estão mais nervosas”, explica. “Temos um amigo cujo casamento foi organizado por Paula Grade e Karina Sousa e recomendou-as”, continua David. E porquê Portugal? “Adoramos o sol, as paisagens, as praias. As nossas famílias tinham de viajar”, conclui Katherine.

O PÚBLICO viajou até Dublin a convite da White Impact