No Martim Moniz celebra-se o Ano Novo chinês para criar “pontes” com Portugal

Chineses em Portugal celebram a chegada do Ano Novo com o desfile pela Avenida Almirante Reis, em Lisboa. Dão-se as boas-vindas ao Ano do Cão, que só começa dia 16. Não faltou o dragão, nem danças, nem iguarias, numa festa para chineses, portugueses e turistas, em nome da diversidade.

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Miguel Manso
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Bing Bing despacha a conversa porque tem de se preparar para ir dançar. Tem 15 anos, está há sete em Portugal. Chegou para estudar, os pais já cá estavam "há muito tempo" a trabalhar. Instalaram-se em Porto Alto, no concelho de Benavente, uma zona que, no início dos anos 2000, acolheu muitos dos chineses que começaram a chegar a Portugal e a mudar a realidade das compras de muitos portugueses. Para a estudante, esta festa é uma maneira de fazer chegar aos portugueses um bocadinhos dos hábitos, tradições e costumes da cultura chinesa. "É que, às vezes, as pessoas confundem com o Japão, e não é a mesma coisa”, reclama a estudante num português quase perfeito. 

Foi com esse intuito, o de estreitar relações entre as comunidades chinesas e portuguesas, que, há cinco anos, a Embaixada da República Popular da China e a Câmara Municipal de Lisboa começaram a promover a celebração do Ano Novo chinês, ou Festa da Primavera como também é conhecido.

As lanternas vermelhas e douradas espalhadas por toda a praça do Martim Moniz e pela Avenida Almirante Reis acima denunciam o clima de celebração. Pelas ruas de Lisboa, este sábado, uma pequena multidão reuniu-se para ver sair o dragão  - que não cospe fogo - à rua, ao som de pratos, bombas e tambores. Reza o mito do dragão que quanto mais longa for a cauda da criatura, mais sorte ela trará.

O ano só arranca no dia 16, mas as festas já começaram com chineses e portugueses lado a lado. Sob o signo do cão, a comunidade chinesa em Portugal espera queo ano lhe traga lealdade, protecção, honestidade. O tradicional desfile do novo ano chinês, onde o dragão andou à solta, partiu, como sempre, da Igreja dos Anjos, para que centenas de figurantes pudessem descer a avenida até à praça. É o vermelho que predomina nas vestes, assim como o amarelo, o roxo e o dourado, cores que os chineses acreditam atrair riqueza e prosperidade. Ali, todos se vestem a rigor. A preparação dura semanas e isso não escapa nem ao olhar, nem aos comentários de quem aprecia a festa. "O que eu acho impressionante é que elas estão sempre a sorrir", repara quem passa.  

Pela Almirante Reis abaixo o desfile do Ano Novo Chinês, seguem os monges do Templo Shaolin, com vestes cor-de-laranja, e as acrobacias afinadas perante o olhar de centenas de pessoas, entre turistas e lisboetas. Este grupo, assim como as companhias de Canto e Dança de Zhengzhou, de Artes Performativas de Chongqiing e da Escola Secundária Pui China de Macau são as principais atracções que vieram da Ásia para representar a cultura chinesa. Desfilam na avenida, dançam, lado a lado com os grupos etnográficos do Minho e do Alentejo que, trajados a rigor, também foram à festa.

Da China vieram igualmente as iguarias, as loiças, as peças de artesanato para a Praça Martim Moniz, o epicentro já habitual das celebrações do novo ano chinês. Há comida e bebida, tendas com workshops de pintura, minicursos de chinês, simulações de cerimónias do chá e de um casamento tradicional chinês. 

Na celebração do Ano Novo, na China e nas suas comunidades em mais de 140 países, “as famílias juntam-se como no Natal aqui”, diz Bing Bing, que festeja um novo ano duas vezes.

O início de cada ano tem de ser celebrado em festa, conta Jessica Chen, “para trazer esperança” para os meses que se seguem. Jessica tem 38 anos. Usa um vestido verde, de veludo, porque a ocasião assim o exige. Nasceu e cresceu numa cidade do Norte da China, perto da capital Pequim. Trocou o frio e a neve pelo sol de Portugal quando chegou há 15 anos, a Coimbra, para estudar Economia, depois de já ter passado pelo Reino Unido. O marido já cá estava, até que, há dez anos, resolveu estabelecer-se na capital. Hoje é Técnica Oficial de Contas. Tem um gabinete no bairro da Mouraria, não muito longe do local onde decorrem as celebrações do Ano Novo Chinês. Presta serviços, maioritariamente, a empresas chinesas, sobretudo depois da crescente entrada de capital chinês em Portugal.

“Somos uma cidade aberta ao mundo”

Estima-se que existam cerca de 20 mil chineses a viver em Portugal. Desses, cerca de metade está concentrada na Área Metropolitana de Lisboa. É por isso que a Embaixada da República Popular da China e a Câmara de Lisboa, com o apoio de associações e de empresas chinesas, celebram, pelo quinto ano consecutivo o Ano Novo Chinês em Lisboa, especialmente naquela zona da cidade onde a presença da comunidade chinesa já foi muito notória. 

Numa cerimónia que antecipou o espectáculo da tarde, o presidente da Associação dos Comerciantes e Industriais Luso Chinesa, Choi Man Hin, disse estar “feliz” por estar rodeado de tantos “amigos portugueses” e por ter a oportunidade de mostrar e partilhar um pouco dos costumes da República Popular da China. 

"Estamos muito empenhados em acolher todos aqueles que vivem aqui. Queremos fortalecer, a cada ano, os laços culturais que unem as nossas comunidades e os nossos povos. É pela cultura que criamos os nossos laços, cumplicidades, e valorizamos a nossa história comum", sublinhou, por sua vez, a vereadora com o pelouro da Cultura da Câmara de Lisboa, Catarina Vaz Pinto. É uma festa que, de ano, para ano, tem crescido "em diversidade", em número de participantes e de artistas, um sinal, considerou, da "cidade aberta ao mundo" que é Lisboa. 

Além de Lisboa, estão previstos festejos do Ano Novo chinês, nos próximos dias, em Lagoa (Algarve) e na Póvoa de Varzim. Este domingo, continua a feira tradicional na Praça do Martim Moniz e, às 14h, repete-se o espectáculo com a participação dos artistas da Companhia Artística de Henan, da Companhia Artística de Chongqing e da Companhia de Dança da Escola Secundária Pui Ching de Macau.

Matam-se as saudades, mas, sobretudo, com a cultura chinesa, a ser vista e explicada aos portugueses, esperam que sejam criadas e estreitadas “pontes” entre Portugal e a China. Jessica quer provar aos amigos portugueses que os chineses não são só “as máquinas” que eles dizem que são. “Temos que mostrar outras coisas aos nossos amigos de Portugal, que somos muito mais do que só trabalho, que temos uma cultura muito rica”. 

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