Crónica de jogo

Benfica vai dormir na liderança, mas não foi fácil adormecer

Os “encarnados” derrotaram o Portimonense e subiram, provisoriamente, ao primeiro lugar da I Liga. O triunfo foi bem mais difícil do que o resultado deixa transparecer. Jonas saiu lesionado

Cervi marcou os dois golos do Benfica
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Cervi marcou os dois golos do Benfica LUSA/ANTÓNIO COTRIM

Pela primeira vez esta temporada, o Benfica vai passar uma noite na liderança da I Liga. O facto de FC Porto e Sporting terem jogos em atraso, aliado ao triunfo deste sábado, em Portimão, frente ao Portimonense, por 3-1, embalou o tetracampeão para o topo da classificação. Mas não foi fácil aos “encarnados” adormecerem, pois os algarvios fizeram “muito barulho”.

Com apenas o campeonato para se “entreterem”, as “águias” entraram em campo ameaçadoras. Velozes e pressionantes, os jogadores do Benfica não deixaram o Portimonense pensar. O resultado foi uma equipa algarvia incapaz de sair do seu meio-campo e um Benfica que chegou à vantagem com naturalidade — Cervi aproveitou bem um ressalto de bola e rematou de forma imparável para o fundo da baliza algarvia.

Como Vítor Oliveira reconheceu no final da partida, o Portimonense estava amedrontado e permaneceu assim até quase ao intervalo, assistindo ao domínio dos benfiquistas.

Mas o segundo tempo foi totalmente diferente. O treinador dos algarvios tirou os “fantasmas” da cabeça dos seus jogadores que surgiram bem mais ousados. O Benfica sofreu nesse período e ainda viu Jonas lesionar-se com aparente gravidade, num choque do avançado brasileiro com o japonês Nakajima. O melhor marcador da equipa e goleador do campeonato foi substituído por Jiménez, mas ainda deve ter assistido ao golo do empate do Portimonense, que surgiu pouco depois da sua saída de campo, na sequência de um pontapé de canto.

O Benfica vivia, nessa altura, um pesadelo. Sem o seu melhor avançado, com o tempo a escoar-se e o resultado empatado, parecia que aquilo que no início parecia ser uma noite de sonho, afinal não se concretizaria.

Foi então que Cervi voltou a surgir no jogo. O argentino, que depois do golo inicial, tinha vindo a desaparecer do encontro, recolocou os benfiquistas na frente do marcador, ao apontar um livre de forma sublime.

O golo foi uma adversidade demasiado forte para o Portimonense, que nunca mais voltou a ser capaz de importunar Varela, enquanto para os benfiquistas funcionou como o calmante que faltava para a equipa voltar a serenar.

Antes do apito final da partida, Zivkovic fixaria o resultado final, num golo que deve ter sido sentido por Rui Vitória como uma espécie de afago antes de fechar os olhos e passar a noite na liderança.