Adão Silva é o nome falado entre os riistas para bancada

Deputados que apoiaram Rui Rio reuniram-se esta semana, em Coimbra, para discutir a liderança parlamentar.

Hugo Soares - entre Passos Coelho e um deputado não identificável, ao lado de Adão Silva - deve avaliar se tem condições para continuar na liderança da bancada do PSD
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Hugo Soares - entre Passos Coelho e um deputado não identificável, ao lado de Adão Silva - deve avaliar se tem condições para continuar na liderança da bancada do PSD Nuno Ferreira Santos

Os deputados que apoiaram Rui Rio querem que o sucessor de Hugo Soares na liderança do grupo parlamentar seja escolhido de entre os parlamentares que estiveram ao lado do ex-presidente da Câmara do Porto nas directas para a presidência do PSD e o nome que circulava nesta sexta-feira era o do vice-presidente da bancada, Adão Silva.

“A liderança do grupo parlamentar ficaria melhor entregue a alguém que esteja comprometido com o projecto político de Rui Rio. Hugo Soares apoiou o projecto que perdeu, liderado por de Santana Lopes”, declarou ao PÚBLICO um deputado, garantindo que a escolha de Adão Silva “estava decidida”.

A questão da liderança do grupo parlamentar foi a ementa servida num jantar que esta semana sentou à mesa um grupo de deputados que apoiaram Rui Rio nas eleições directas de Janeiro.

Convocado por Salvador Malheiro, presidente da Câmara de Ovar e director de campanha de Rui Rio, o jantar contou com a participação dos deputados António Topa, Emídio Guerreiro, Emília Cerqueira, Bruno Coimbra, Pedro Alves, Paulo Rios, Rubina Berardo e José Silvano. Também foram convidados Firmino Pereira e Virgílio Macedo, mas os dois deputados não puderam estar presentes. O primeiro devido a um compromisso pessoal – “tomada de posse da Tuna Musical de Santa Marinha, em Vila Nova de Gaia”; o segundo porque “à mesma hora tinha um debate no Porto Canal com Manuel Pizarro”. Salvador Malheiro e Maló de Abreu também estiveram no jantar, que se realizou três dias depois de os líderes das distritais se terem juntado num jantar, em Anadia, promovido pelo deputado e presidente do PSD de Viseu, Pedro Alves.

No jantar dos deputados, que decorreu esta segunda-feira, em Coimbra, houve quem insistisse no nome do ex-ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Guedes, que já se mostrou indisponível para regressar à liderança da bancada. Mas foram apontados outros nomes para suceder a Hugo Soares, designadamente Fernando Negrão, que esta quinta-feira, num almoço-debate no International Club of Portugal, assumiu estar preparado para liderar a bancada, tendo em conta o tempo que já tem como deputado na Assembleia da República. Mas o nome do deputado, que preside à Comissão Eventual da Transparência da Assembleia da República e apoiou Santana Lopes nas directas, não reúne o consenso dos seus pares.

Um dos parlamentares que esteve no jantar garantiu ao PÚBLICO que os deputados que apoiaram Rio “não defendem Hugo Soares, até porque a permanência dele na liderança do grupo parlamentar representaria uma derrota do novo líder do partido, dando a ideia de que não conseguiu impor um nome”.

E o nome que ontem circulava como sendo certo para substituir o presidente do grupo parlamentar do PSD era o do vice-presidente da bancada, Adão Silva, que é amigo de Rui Rio há muitos anos. “Adão Silva é uma escolha segura, é competente, mas não é galvanizador”, atirou um deputado riista, observando que a liderança da bancada tem de ser discutida em função do novo ciclo politica”.

Fonte próxima de Rui Rio garantiu ao PÚBLICO que o presidente eleito do PSD não convidou ninguém para a presidência do grupo parlamentar, porque o acordo que tem com Hugo Soares é que este será de facto o líder até ao congresso. No entanto, admite que Rio possa voltar a falar com Hugo Soares ainda antes da reunião magna dos sociais-democratas, para levar o assunto já fechado para o congresso. Recorde-se, contudo, que o líder do grupo parlamentar é eleito pelos deputados, pelo que a continuidade ou não de Hugo Soares à frente da bancada não depende, em rigor, do novo presidente do partido. E que falta saber como é que os deputados que apoiaram Santana Lopes nas directas vão reagir a uma tentativa de afastamento de Hugo Soares.

Segundo relatos feitos ao PÚBLICO, no jantar de Coimbra, Salvador Malheiro transmitiu aos deputados que Hugo Soares disse ao presidente do partido eleito que “gostaria de continuar no cargo e que estaria disponível para mudar as vice-presidências do grupo parlamentar”. O PÚBLICO falou com Salvador Malheiro, mas o director de campanha  de Rui Rio recusou fazer qualquer comentários sobre o que se passou no jantar que  promoveu, mandatado pelo ex-presidente da Câmara do Porto.

O deputado Firmino Pereira, que apoiou o líder eleito desde a primeira hora, declara numa nota enviada ao PÚBLICO que “Rui Rio cometerá um erro, se não aproveitar os bons dirigentes e quadros que apoiaram Santana Lopes”. “Apesar de compreender que alguns deputados do PSD que apoiaram Rui Rio entendam que o líder do grupo parlamentar do PSD, Hugo Soares, deve ser substituído, eu discordo, porque ele tem exercido bem a sua função no Parlamento”, lê-se na nota, na qual defende uma “recomposição da direcção a nível dos vice-presidentes”.

“Sei que Hugo Soares apoiou Santana Lopes, mas esta é a hora de o novo presidente, Rui Rio, alargar a sua base de apoio interna e aproveitar protagonistas que podem ser portadores do novo discurso do PSD”, escreve Firmino Pereira, referindo o actual líder da bancada “é reconhecido pela esmagadora maioria dos deputados como um excelente líder”.

A escolha do futuro secretário-geral do partido - uma decisão pessoal do novo presidente do partido -  foi outro tema que mereceu a atenção dos deputados no jantar de Coimbra. Um dos primeiros nomes falados para o cargo foi o de Feliciano Barreiras Duarte. Mas os colegas de bancada levantam resistências ao nome daquele que foi o braço direito de Rio na campanha interna, argumentando que o deputado “afastou-se do partido e não compareceu a muitas reuniões do grupo parlamentar durante os últimos dois anos”. Temendo que a escolha recaia neste antigo chefe de gabinete de Passos Coelho, os deputados lançam o nome de Emídio Guerreiro para suceder a Matos Rosa, entalecendo-lhe a experiência parlamentar e governativa.