O Tremor a preparar o irrepetível: as residências de um festival

Daniel Blaufuks e uma filarmónica, O Gringo Sou Eu e a Escola de Música de Rabo de Peixe, Pauliana Valente Pimentel e Aïsha Devi são alguns dos protagonistas das residências de que (também) se fará o festival micaelense.

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Daniel Blaufuks apresenta um um vídeo em que uma banda filarmónica local interage com o espaço do Monte Palace PEDRO CUNHA/ARQUIVO

É o Tremor que se anuncia. Já está quase, todos a Ponta Delgada entre 20 e 24 de Março. Dizemo-lo porque conhecemos o festival e quem conhece o festival que enche de música e vida o centro histórico de Ponta Delgada, actividade estendida São Miguel fora, sabe bem o que de especial se costuma passar por ali. Sabe-o genericamente, porque, na verdade, cada edição é uma sucessão de acontecimentos diferentes. E não falamos “apenas” dos músicos e bandas dos concertos (oficiais e surpresa) ou das viagens para explorar os recantos da ilha. Falamos, por exemplo, daquilo que a organização agora anuncia, as residências artísticas através das quais se promove, em música, vídeo, fotografia ou multimédia, um encontro entre o espaço em que o festival decorre e as pessoas que o habitam.

Do Tremor 2018 resultará então, por exemplo, um trabalho vídeo do fotógrafo Daniel Blaufuks, que levará uma banda filarmónica local a interagir com o dramático espaço cénico do Monte Palace, um antigo hotel de 5 estrelas abandonado. Nesta edição veremos inaugurada a exposição que a fotógrafa Pauliana Valente Pimentel, distinguida em 2015 pela Sociedade Portuguesa de Autores com o prémio para as Artes Visuais, preparou em três residências ao longo de 2017, centradas nos jovens de bairros da Ribeira Grande, Ponta Delgada, Lagoa e Vila Franca do Campo, e assistiremos ao desenvolver de um projecto multimédia, em registo fotográfico e sonoro, através do qual Duarte Ferreira e Renato Cruz Santos pretendem levar-nos a explorar os lugares de que é feito o festival, testemunhando como este se transforma com a chegada do público e dos diversos agentes que o criam.

No Tremor 2018, além dos concertos já anunciados, de bandas como Boogarins, Dead Combo, Mdou Moctar, Parkinsons, Liima ou Mykki Blanco, veremos o que resultará do encontro da Escola de Música de Rabo de Peixe, parceira artística do Tremor desde a edição de 2016, com O Gringo Sou Eu, músico brasileiro residente em Portugal desde 2010, integrante dos HHY & The Macumbas, entre outros, e dinamizador, no nosso país e no Rio de Janeiro natal, de colectivos musicais criados com jovens em diversos bairros sociais, tendo por base a ideia blocodeconcreto, ou seja, instrumentos de percussão criados com materiais descartáveis.

Das restantes residências proporcionadas pelo Tremor, resultará um encontro entre a viola da terra, instrumento típico açoriano, de Rafael Carvalho e a electrónica de FLIP (Filipe Caetano), o espectáculo, com a percussão como base, que Ricardo Baptista prepara com 20 membros da Associação de Surdos de São Miguel, e o concerto que a artista suiça Aïsha Devi prepara para apresentação no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, dia 23 de Março.