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Exposição em Lisboa evoca obra da compositora Constança Capdeville

O Agora... é tudo o que temos revisita a partir de quinta-feira, na Biblioteca Nacional de Portugal, uma figura marcante da música contemporânea portuguesa.

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Partituras, guiões de espectáculos, anotações e outros documentos ilustram a exposição sobre a compositora Constança Capdeville (1937-1992) que será inaugurada na quinta-feira, na Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), em Lisboa.

A exposição, montada a partir do espólio de Capdeville, intitula-se O Agora... é tudo o que temos, e estará patente até 12 de Maio, revisitando uma compositora que foi "figura de destaque no panorama musical português pelo seu espírito inovador na concepção, na forma e nos materiais utilizados para a criação musical, e na função que conferiu ao próprio concerto, enquanto espectáculo participado", nota a BNP em comunicado.

O espólio de Constança Capdeville está à guarda da BNP, que realça o facto de a compositora ter aliado "a música à componente cénica", sendo "precursora na composição de obras para teatro musical, género a que se dedicou sobretudo a partir da década de 1980, com o grupo ColecViva, que fundou e dirigiu". "Essa ligação com o teatro levou-a também a utilizar elementos cénicos em algumas das suas peças de câmara", refere a BNP, acrescentando que compôs igualmente música para bailado e para cinema.

O espólio de Constança Capdeville, autora, entre outras peças, de Mise en Requiem, Don't Juan e Libera me, integra as colecções de Música da BNP desde Setembro de 2012, por doação do poeta Manuel Cintra.

A BNP realça que Capdeville se notabilizou "também como pedagoga, nomeadamente na Academia de Música de Santa Cecília, no Conservatório Nacional de Lisboa e na Escola Superior de Música de Lisboa". A partir de 1980, foi professora convidada no Departamento de Ciências Musicais da Universidade Nova de Lisboa, onde leccionou História e Problemática da Interpretação, assim como Análise da Música do Século XX.

Natural de Barcelona, Capdeville veio para Portugal com a família em 1951, tendo estudado no Conservatório Nacional de Música de Lisboa, com Varela Cid (piano) e Jorge Croner de Vasconcellos (composição). Mais tarde, fez os cursos especiais de Musicologia, Interpretação de Música Antiga e Técnica de Acompanhamento, sob a orientação de Macário Santiago Kastner.

Em 1962 recebeu o Prémio de Composição do Conservatório Nacional de Lisboa, atribuído à obra para órgão Variações sobre o nome de Stravinsky.

Capdeville fez parte dos Menestréis de Lisboa, sob a direcção de Santiago Kastner, do grupo de câmara Convivium Musicum e do Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, sob a direcção de Jorge Peixinho, tendo também sido percussionista convidada da Orquestra Gulbenkian, em concertos de música contemporânea.

Em Outubro de 1990, foi-lhe atribuída a Medalha de Mérito Cultural, do Ministério da Cultura, e, em Junho de 1992, a título póstumo, o grau de Comendadora da Ordem de Sant'Iago da Espada.

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