Gaia vai lançar concurso de ideias para a Cerâmica das Devesas

Município aprova segunda-feira compra de boa parte da propriedade. A restante continua em processo de classificação, desde 2016.

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Fernando Veludo/nfactos

A Câmara de Gaia vai lançar este ano um concurso de ideias para a intervenção na antiga Cerâmica das Devesas, uma propriedade na cota alta da cidade, junto à estação de comboios, que passará, em grande parte, para o domínio municipal, após a aprovação, pelo executivo, Assembleia Municipal e Tribunal de Contas, da respectiva aquisição ao BCP.

O executivo liderado por Eduardo Vítor Rodrigues vota nesta segunda-feira a compra de uma parte da propriedade, com 13.500 metros quadrados, por 2,5 milhões de euros ao MIllenium BCP, que tirou cem mil euros ao preço mínimo pelo qual estava a tentar colocar este imóvel no mercado. O resto do espaço da antiga fábrica, no qual se incluem as áreas de produção e espaços sociais dos trabalhadores pertence aos herdeiros da antiga fábrica, e foi, em Abril de 2016, alvo de uma nova proposta de classificação submetida à Direcção-Geral do Património Cultural, enquanto espaço-memória de uma unidade famosa em toda a península, na transição entre o século XIX e o século XX, muito devido ao seu mestre-escultor, Joaquim José  Teixeira Lopes.

O passo seguinte à aprovação do visto pelo Tribunal de Contas e ao pagamento, a pronto, do valor acordado, é o lançamento de um concurso de ideias para a transformação do local num espaço de usufruto público que substituirá a urbanização para ali projectada desde 2010 e que inclui construção de 137 apartamentos. Esta sexta-feira, após uma visita ao local, Eduardo Vítor Rodrigues explicou que a Câmara definirá aspectos mínimos do programa, esperando, no resto, ser positivamente surpreendida com as propostas que vier a receber a partir de Maio, altura em que o imóvel, espera, já estará nas mãos do município.

Os gabinetes de arquitectura que pretenderem concorrer vão saber à partida que devem desenhar para o local um parque de estacionamento subterrâneo e um edifício, com cinco mil metros quadrados, salas de exposições e um auditório, que será o futuro museu da cidade, e no qual a cerâmica e as artes oficinais terão um lugar de destaque. No sítio onde Teixeira Lopes desenvolveu uma verdadeira escola de formação de novos escultores, o município espera conseguir atrair a comunidade educativa do concelho e até da região para a prática de saberes que, há um século, fizeram da Cerâmica das Devesas um nome incontornável na indústria do seu tempo.

Eduardo Vitor Rodrigues adiantou também que o parque de estacionamento previsto não será concessionado a privados, podendo vir a ser utilizado como parque de apoio à estação ferroviária das Devesas, da Linha do Norte, na qual entroncará uma segunda linha de metro prevista para Vila Nova de Gaia. O autarca explicou que admite, inclusive, negociar com o metro a utilização do espaço em regime Park & Ride, no qual um utilizador do metropolitano paga menos de um euro por dia para deixar o carro ali parado, privilegiando, desta forma, a mobilidade em transporte público.

De resto, o autarca socialista tem esperança de que o projecto que ali venha a ser desenvolvido possa, em articulação com investimentos privados na hotelaria que estão a decorrer na envolvente, atrair também mais turistas para a cota alta da cidade, para onde, aliás, o município projecta também um centro de congressos. Gaia é muito procurada pela sua zona ribeirinha, com as famosas caves e a sua vista para o casario do Porto, mas, tirando o jardim do morro e o mosteiro da Serra do Pilar, a cota superior é menos frequentada pelos milhões de visitantes que anualmente, circulam entre estes dois burgos cuja história se cruza.