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Megafone

Adeus, Lenka!

Daqui em diante acabou-se a Lenka e as assistentes de concurso, as meninas da Fórmula 1, os modelos, as “cheerleaders”, sem esquecer toda a publicidade sujeita a ferir susceptibilidades, o cinema, a televisão, as capas de revista, os bikinis na praia, as mini-saias

Todos os dias vejo o “Preço Certo”, só para te ver, Lenka, ao fim do dia, todos os dias ao chegar a casa, para ver o teu sorriso e simpatia, sempre prestável, sempre apresentável, seja ao lado do “Gordo”, seja ao lado de um frigorífico ou um dos muitos jogos deste longo programa da televisão portuguesa.

Acompanho-te desde o princípio, desde 2002, quando, também tu, iniciaste uma igualmente longa carreira como assistente de concurso, e não me canso, e só peço, para te ver, todos os dias, 50 minutos por inteiro sem pensar, só a ver, e a rir, até porque para pensar já nos basta o "Telejornal" e quem o apresenta logo a seguir.

Infelizmente, e porque tudo chega ao fim, vou deixar de te ver. Isto porque, ao que parece, chegamos hoje à conclusão de como, ao longo dos últimos 14 anos, não tens sido senão vítima da sociedade sexista, machista, chauvinista, que nós, os homens, criamos ao longo de séculos. E, sim, eu sou um deles.

Quer isto dizer que daqui em diante acabou-se a Lenka e as assistentes de concurso, as meninas da Fórmula 1, os modelos, as cheerleaders, sem esquecer toda a publicidade sujeita a ferir susceptibilidades, o cinema, a televisão, as capas de revista, os bikinis na praia, as mini-saias.

Porque as mulheres não foram feitas para se ver mas para ser, e nós merecemos este castigo e não aprendemos de outra maneira.

Mas, quer as mulheres queiram ou não, gostamos delas à mesma, eu gosto da Lenka e vou continuar a gostar, por isso este beijo de despedida e estas saudades, até qualquer dia, até sempre, até ver (já tenho um poster teu na parede).