Opinião

A operação militar da Turquia não é contra os curdos

Nenhum país pode tolerar a presença de qualquer elemento terrorista nas suas fronteiras.

A Turquia combate actualmente várias organizações terroristas que representam um risco e ameaça à nossa segurança nacional. Após a bem sucedida Operação Escudo do Eufrates, no ano passado, a Turquia livrou do Daesh as suas fronteiras com a Síria, libertou uma área de 2015 km2 e estabeleceu um refúgio seguro livre de terror, permitindo o regresso dos sírios deslocados. No entanto, a ameaça terrorista da Síria que visa as nossas fronteiras ainda não terminou. Nenhum país pode tolerar a presença de qualquer elemento terrorista nas suas fronteiras.

Na Síria, o Daesh e o PYD-YPG, afiliado do PKK/KCK, reconhecido como uma organização terrorista pela NATO, a UE e os EUA, têm tentado criar um corredor de terror que representa um perigo claro e iminente, não apenas contra a nossa segurança nacional e fronteiras, mas também para a segurança e estabilidade regionais. A presença de grupos terroristas em Afrin, onde o regime não tem controlo efectivo, ameaça também a integridade territorial da Síria.

A ameaça dos elementos terroristas do PKK/KCK/PYD-YPG, mobilizados na região de Afrin, às vidas e propriedades do povo irmão da região, e dos nossos cidadãos que vivem perto da área fronteiriça, é acrescida, devido ao mais recente aumento do número de disparos e ataques hostis. Desde o início de 2017, as províncias de Hatay e Kilis, bem como os postos e bases militares turcas na região e os postos de vigilância militares em Idlib, têm sido alvo de ataques a partir de Afrin, já quase 700. Só nos últimos dois dias foram disparados seis rockets contra as cidades de Reyhanli e Kilis, causando a morte de uma jovem de 17 anos na sua própria cama.

Neste cenário, a 20 de Janeiro de 2018, as Forças Armadas turcas lançaram a Operação Ramo de Oliveira. O objectivo desta operação é garantir a segurança das nossas fronteiras, neutralizar os terroristas em Afrin e, assim, salvar os irmãos sírios da opressão e crueldade destes terroristas.

A operação em curso é levada a cabo com base no Direito Internacional, de acordo com o nosso direito à autodefesa conforme o disposto no artigo 51 da Carta das Nações Unidas e as relevantes resoluções do Conselho de Segurança n.ºs 1373 (2001), 1624 (2005), 2170 (2014) e 2178 (2014) e no pleno respeito da integridade territorial da Síria. De imediato e devidamente, tomámos as necessárias medidas para informar a comunidade internacional sobre a operação e o seu contexto, objectivos e bases legais.

Infelizmente, durante os últimos dias, esses grupos terroristas iniciaram uma campanha de desinformação contra os militares turcos e contra a operação, utilizando para tal material de propaganda fabricado.

Pelo contrário, durante as fases de planeamento e execução da operação, os alvos são apenas os mencionados terroristas, os seus abrigos, esconderijos, armazéns, armas, veículos e equipamento. São tomadas todas as precauções para evitar danos colaterais à população civil. Para além disso, as Forças Armadas turcas (TSK) prestam ajuda humanitária aos civis nas localidades libertas dos grupos terroristas.

Além do mais, desde o início da operação, os edifícios religiosos e culturais, os monumentos históricos, as ruínas arqueológicas e instituições de serviço público nunca estiveram entre os alvos das Forças Armadas turcas.

Antes de concluir, gostaria de sublinhar que a Turquia não tem problema algum com os curdos. Actualmente, mais de 500.000 dos 3,5 milhões de refugiados na Turquia são curdos. No Exército Livre da Síria há também soldados curdos que, ao lado dos soldados turcos, combatem os grupos terroristas. Desde o início, e reiteradamente, as autoridades turcas sublinham, a todos os níveis, que a operação não visa quaisquer grupos étnicos e religiosos em particular, mas sim formações terroristas como o PKK/KCK/PYD-YPG e o Daesh.

Sugerir correcção