Há 19 famílias do Bairro da Torre que já foram realojadas

Câmara de Loures deverá completar nos próximos dias o realojamento de 23 famílias. O objectivo da associação de moradores é agora restabelecer o fornecimento de energia eléctrica no bairro, sem luz desde Outubro de 2016.

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Rui Gaudencio
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Nas últimas semanas, 19 das 67 famílias do Bairro da Torre, em Camarate, foram realojadas pela Câmara de Loures. Nos próximos dias, mais quatro famílias deverão igualmente trocar o bairro de casas precárias, onde vivem sem luz há mais de um ano, pelas casas detidas pelo município, assegura a vereadora com o pelouro da habitação, Maria Eugénia Coelho. Cerca de 200 pessoas vão continuar no bairro.

O objectivo da autarquia é claro: “Queremos terminar com aquele bairro nas condições em que está”, diz a vereadora da CDU. Para tal, o executivo comprometeu-se com o realojamento de “um terço dos moradores” e derrube das respectivas habitações, assim que estas são desocupadas. Mas Maria Eugénia Coelho alerta que, para as restantes 44 famílias, terá de ser o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), tutelado pelo Ministério do Ambiente, a encontrar uma solução que permita “o realojamento condigno destes moradores”.

São cerca de 200 as pessoas, incluindo crianças e idosos, que permanecem no bairro, segundo as contas da presidente da associação de moradores Torre Amiga. Ricardina Cuthbert é uma delas, mas diz não ter razões de queixa do processo de realojamento. “Desta vez estão a fazer tudo bem, tudo com a energia certa”, acredita.

No realojamento, processo em que a autarquia tem vindo a trabalhar “há alguns meses”, foi dada prioridade aos moradores doentes ou com maior debilidade, e de seguida, às famílias para quem se adequava a tipologia das casas disponíveis no parque habitacional da câmara. Por serem maioritariamente casas com dois quartos, nota Ricardina, “as famílias numerosas tiveram que ficar para trás”.

Maria Eugénia Coelho nota também que “a proposta apresentada de mudar para os bairros da câmara não agradou a todos [os moradores]”, mas ficou-lhe claro que, “na sua maioria, as pessoas querem sair do bairro” da Torre.

Tanto a associação de moradores como a câmara dizem estar em negociações com a tutela, através do IHRU e da secretaria de Estado da Habitação, para encontrar uma solução para as restantes famílias. A vereadora da habitação vê que o instituto tem “disponibilidade para dialogar, mas falta que participem com soluções efectivas”. Ao PÚBLICO, o IHRU diz apenas que “o assunto encontra-se a ser acompanhado”, em articulação com a secretaria de Estado.

Quem fica

Para quem fica, “ainda há muito a fazer”. O objectivo, diz Ricardina Cuthbert, é restabelecer o fornecimento de energia eléctrica no bairro, que não existe desde Outubro de 2016. Uma parte dos moradores vive sem água canalizada há mais de cinco anos. 

Esta situação motivou, no passado mês de Junho, a aprovação de um projecto de resolução no Parlamento que recomendava ao Governo a adopção, “com urgência”, de medidas para assegurar “a prestação do serviço público de electricidade aos habitantes dos bairros e núcleos de habitações precárias”. A câmara e a associação de moradores confirmam que têm estado em contacto com a EDP nesse sentido.

Há outros projectos em curso: a câmara pondera a instalação de balneários e o Grupo de Estudos Socio-Territoriais, Urbanos e de Acção Local (Gestual) da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa – que trabalha junto desta comunidade há vários anos – está a desenvolver uma proposta de construção no bairro.