Quatro casos de Legionella entre pacientes e funcionários do Hospital CUF Descobertas

Hospital admite que possa haver mais casos. Foco de infecção poderá estar nos duches.

O Hospital CUF Descobertas, na zona oriental de Lisboa, é uma unidade privada do Grupo José de Mello Saúde
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O Hospital CUF Descobertas, na zona oriental de Lisboa, é uma unidade privada do Grupo José de Mello Saúde Miguel Madeira (arquivo)

Quatro novos casos de Legionella foram identificados numa unidade de saúde de Lisboa, desta vez no Hospital CUF Descobertas, do Grupo José de Mello Saúde, na zona do Parque das Nações, informou a Direcção-Geral da Saúde (DGS) numa nota publicada neste domingo no seu site. Todos os doentes são mulheres e todas se encontram estáveis.

Numa conferência de imprensa realizada durante a tarde, o director clínico adjunto do hospital particular, Paulo Gomes, detalhou que foram infectadas duas pacientes que tinham estado naquela unidade "há umas semanas" e duas funcionárias auxiliares de saúde. "Todas as quatro estão estáveis e com prognóstico positivo", disse.

Uma das pessoas infectadas está internada nos cuidados intensivos mas apenas para fins de monitorização, devido a patologias anteriores.

O primeiro caso foi detectado durante a madrugada de sábado com a chegada ao hospital de uma utente — que tinha ali estado "semanas" antes — com sintomas coincidentes com um estado de infecção por Legionella posteriormente confirmado através de análises. A partir desse momento, foram seguidos protocolos clínicos que implicaram a pesquisa de sintomas similares junto de doentes e funcionários, o que resultou na identificação, durante o dia de sábado, de mais três casos.

"Admito que possa haver novos casos", acrescentou.

Apesar de não estar oficialmente localizado o foco de infecção, a administração do hospital "parte do pressuposto" de que estará no interior da CUF Descobertas. Paulo Gomes admite que a infecção poderá ter origem nas "águas sanitárias e duches", e não em torres de refrigeração, como aconteceu no recente surto no Hospital São Francisco Xavier.

"Não é um problema de climatização, não temos torres de refrigeração", explicou o responsável clínico da CUF Descobertas. 

O hospital iniciou entretanto um processo de descontaminação das águas, através de um "choque químico", por via do aumento dos níveis de cloro, e de um "choque térmico" — ou seja, pelo aumento da temperatura da água.

Horas antes, a DGS tinha informado que as autoridades de saúde estavam no hospital e que já tinham sido aplicadas medidas de primeira intervenção para controlar o surto e interromper a transmissão, incluindo o reforço da vigilância epidemiológica e ambiental. As medidas estão a ser aplicadas pela DGS “em articulação com o conselho de administração do hospital e em colaboração com o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge”, detalhava a DGS.

Este novo surto de Legionella em Lisboa acontece depois de em Novembro passado 56 pessoas terem sido infectadas pela bactéria no Hospital São Francisco Xavier. O surto, com origem numa das torres de arrefecimento daquele hospital, provocou nessa altura seis vítimas mortais.

Já em Janeiro deste ano, o Governo anunciou que vai avançar com um projecto de lei que determina auditorias obrigatórias de três em três anos a empresas de equipamentos, sistemas e redes com maior risco de desenvolvimento de Legionella. Segundo o diploma conjunto dos ministérios da Saúde e Ambiente, as empresas que não cumprirem arriscam multas que vão até 45 mil euros.

A Legionella é uma bactéria responsável pela doença dos legionários, uma forma de pneumonia grave que se inicia habitualmente com tosse seca, febre, arrepios, dor de cabeça, dores musculares e dificuldade respiratória. A infecção pode ser contraída por via aérea (respiratória), através da inalação de gotículas de água ou por aspiração de água contaminada. A incubação da doença tem um período de cinco a seis dias depois da infecção, podendo ir até dez dias.

Em Portugal, a doença dos legionários provocou nos últimos três anos 18 mortos e mais de 400 infectados. O maior surto recente remonta a Novembro de 2014, quando 375 pessoas contraíram a bactéria e 12 morreram no concelho de Vila Franca de Xira.

Notícia actualizada às 18h30: acrescenta esclarecimentos do director clínico adjunto do Hospital CUF Descobertas

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