Apresentadores da BBC concordam com corte salarial para reduzir disparidade

São já seis os apresentadores que aceitaram baixar salários, depois da editora do canal na China se ter demitido em protesto contra a desigualdade no canal público britânico.

Jeremy Vine é o mais bem remunerado do grupo de seis apresentadores
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Jeremy Vine é o mais bem remunerado do grupo de seis apresentadores Reuters/Neil Hall

No início do ano, Carrie Gracie demitiu-se do cargo de editora da BBC China como forma de denunciar a “cultura salarial secreta e ilegal” da empresa, referindo-se ao facto de não ter o mesmo salário que os seus colegas homens que ocupam funções idênticas. Agora, seis apresentadores do canal britânico aceitaram negociar as suas condições salariais para equilibrar as desigualdades em relação à remuneração da equipa.

Huw Edwards, Nicky Campbell, John Humphrys, Jon Sopel, Nick Robinson e Jeremy Vine foram os nomes que, de acordo com a BBC, aceitaram a proposta de redução de salário.

Dos seis apresentadores, Jeremy Vine era quem tinha um salário mais alto. No último ano, ganhou entre 700 mil e 750 mil libras (entre 800 mil a 857 mil euros). Já Jon Sopel era quem tinha o salário mais baixo entre os seis apresentadores. Ainda assim, era mais elevado do que o de Carrie Gracie. Enquanto Sopel ganhava entre 200 mil e 250 mil libras, Gracie não recebia mais de 135 mil libras (154 mil euros).

A lista de apresentadores mais bem pagos no canal britânico foi publicada no último Verão. Nela constava Chris Evans — um dos apresentadores do programa Top Gear — como o mais bem pago de toda a equipa de apresentadores da BBC. Mas enquanto o salário anual de Evans rondava os 2,5 milhões de libras, o salário anual da mulher mais bem paga na equipa, Claudia Winkleman, não ultrapassava as 500 mil libras.

Num comunicado divulgado pelo canal britânico, a BBC elogia o trabalho de excelência e profissionalismo dos jornalistas e apresentadores, “que têm uma conexão real com o público”. “[Os acertos de salários] ainda estão a ser discutidos e finalizados e estão previstas mais conversas com outros funcionários”, adiantou a BBC.

Em Outubro foi publicado um relatório no cumprimento de um requerimento a que todas as grandes organizações tiveram de responder. O estudo detectou uma desigualdade salarial com base no género de 9,3%, um valor inferior à média nacional (18,1%). Na próxima semana será publicada uma auditoria independente à desigualdade salarial dos apresentadores do canal.

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