Primeiros nomes para o 20.º FMM Sines: Antibalas, Kimmo, Baba Zula, Cheik Lô, Ladysmith Black Mambazo e Alsarah

Entre 19 e 28 de Julho, Sines vai apresentar programação cheia de nomes cimeiros das músicas do mundo.

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Baba Zula: colectivo de rock alternativo de Istambul, permeável ao clássico psicadelismo da Anatólia dr

Já conhecíamos as datas do próximo Festival Músicas do Mundo (FMM). E já dava para adivinhar que a 20.ª edição do evento que mudou a relação do público português com as músicas das mais diversas geografias teria um peso especial. Chega agora a confirmação que, entre 19 e 28 de Julho, Sines vai apresentar uma programação cheia de nomes cimeiros das músicas do mundo (sem descurar a apresentação de novidades absolutas): Antibalas (Estados Unidos da América via Nigéria), Kimmo Pohjonen (Finlândia), Baba Zula (Turquia), Cheik Lô (Senegal), Ladysmith Black Mambazo (África do Sul) e Alsarah com os Nubatones (Sudão/EUA) são os primeiros cabeças de cartaz fechados.

Pode soar improvável, mas é em Brooklyn, Nova Iorque, que estão sediados dois destes projectos que dão o arranque para um festival que, em 2017, obteve um dos maiores reconhecimentos públicos com a distinção da European Festival Association, em Bruxelas, como um dos “seis mais influentes festivais europeus”. Os Antibalas nasceram em 1998, fruto da paixão de Martín Perna, um saxofonista de ascendência mexicana, pelo afrobeat de Fela Kuti. Só que, inevitavelmente, a sua versão da música nigeriana seria atravessada por sonoridades latinas que sempre deu aos Antibalas um travo próprio e os afastou da mera cópia deslumbrada. No ano passado lançaram Where the Gods Are in Peace.

Também a cantora sudanesa e etnomusicóloga Alsarah, sediada em Brooklyn, voltou aos discos em 2017, com o álbum Manara, segundo capítulo de uma magnífica viagem por sons que vagueiam entre o Magrebe, a África subsariana e o Médio Oriente, e chama às letras um discurso pejado de histórias de imigração e em que se questiona as noções de casa e de pertença.

O acordeonista Kimmo Pohjonen, velho conhecido de Sines e presente também na edição do 10.º aniversário (com o projecto KTU, em que se juntava a dois ex-membros dos King Crimson), regressa num novo trio, intitulado Skin, e que partilha com as suas duas filhas (Inka, guitarra, electrónica e vozes; Saana, percussão e vozes). Foi esta a formação com que gravou o álbum Sensitive Skin (2015), em foco neste concerto. Muita curiosidade desperta igualmente a nova passagem do senegalês Cheik Lô, estrela da música africana que visitou o FMM em 2011, e que volta à cidade alentejana num projecto de duo com um dos mais estimulantes e intrigantes músicos espanhóis da actualidade: Raül Refree. Refree tocou em Sines na altura em que acompanhava Sílvia Pérez Cruz e, nos últimos anos, levou a sua visão muito particular do flamenco e da música tradicional espanhola para junto da cantora Rosalía. O álbum dos dois (Cheik e Raül) tem edição prevista para o Outono de 2018.

No capítulo das figuras e formações lendárias, acrescente-se então ao programa Ladysmith Black Mambazo e Baba Zula. Os primeiros são uma formação vocal masculina nascida nos anos 1960 e cuja fama mundial se propagou com a participação no álbum maior de Paul Simon que é Graceland (1986), de namoro assolapado com a música sul-africana. Fundado por Joseh Shabalala numa altura em que deixou o campo para trabalhar numa fábrica, o grupo inspira-se na música tradicional isicathamiya, desenvolvida pelos trabalhadores negros das minas do país, que tentavam esquecer a distância da família em que eram obrigados a viver e as miseráveis condições de trabalho através das canções que cantavam madrugada fora.

Os Baba Zula são um colectivo de rock alternativo de Istambul, muito permeável ao clássico psicadelismo da Anatólia, e em que os instrumentos tradicionais da região se carregam de electricidade para desenhar uma sonoridade nova. Em 2005, o mundo familiarizou-se com o seu nome graças ao documentário de Fatih Akin Crossing the Bridge. Os seus concertos, garantem os próprios, são autênticos “festins visuais”, podendo integrar dançarinas do ventre, poesia, teatro, guarda-roupa extravagante e desenho ao vivo. Espere-se tudo, portanto, do FMM 2018.