O Tejo voltou a ficar coberto com um sujo manto de espuma

Ambientalistas dizem que é das maiores manchas poluidoras detectadas nos últimos anos na zona de Abrantes.

Fotogaleria
LUSA/PAULO CUNHA
Fotogaleria
LUSA/PAULO CUNHA
Fotogaleria
LUSA/PAULO CUNHA
Fotogaleria
LUSA/PAULO CUNHA
Fotogaleria
LUSA/PAULO CUNHA
Fotogaleria
LUSA/PAULO CUNHA
Fotogaleria
LUSA/PAULO CUNHA

A história repete-se. O rio Tejo voltou a correr castanho e, junto ao açude insuflável de Abrantes, ficou mais uma vez coberto de espuma. A causa é a mesma de sempre: as matérias poluidoras que são despejadas no rio desde Vila Velha de Ródão e até este chegar junto a Lisboa.

A denúncia foi feita pelo activista da proTEJO Arlindo Marques com vídeos colocados nas redes sociais que mostram o manto de espuma que na quarta-feira chegou a ter cerca de um metro de altura e ia de margem a margem na zona de Abrantes, distrito de Santarém.

“Já vi aqui muita espuma ao longo dos últimos três anos nesta e noutras zonas, mas esta deve ser a de maior dimensão. É um cenário dantesco”, disse ao PÚBLICO Arlindo Marques, conhecido como o “guardião do Tejo”.

O ambientalista chama-lhe “manto de morte” e volta a apontar o dedo às fábricas de Vila Velha de Ródão. “Continuam a matar o rio e não vejo fazerem nada para impedirem este crime. Alguém tem de acudir ao rio, porque qualquer dia ele vai mesmo morrer. Há quatro dias que o rio corre preto, preto, preto”, afirma.

Contactado pela agência Lusa, o vereador do Ambiente na Câmara de Abrantes, Manuel Valamatos, disse ter sido surpreendido por um "nível de poluição visual brutal", uma situação "assustadora" e "acima de todos os parâmetros" ali registados.

"Não temos informação da origem", observou, referindo que a Agência Portuguesa do Ambiente "esteve no local a recolher amostras da água", aguardando a autarquia por mais informações das entidades competentes.

Também contactado pela Lusa, o Ministério do Ambiente disse que a tutela está consciente da situação e continua a acompanhar "de forma muito intensa tudo o que se passa no rio Tejo".

A proTEJO tem uma reunião de trabalho marcada para 24 de Fevereiro e desse encontro devem sair novas acções de protesto contra a poluição no rio Tejo.

Também nesta quinta-feira, um grupo de deputados do PSD acusou o ministro do Ambiente de “inacção no combate à poluição do rio Tejo”, atribuindo-lhe “grandes responsabilidades na tragédia actual, já que propuseram mais meios humanos e técnicos para fiscalização, o que foi rejeitado pelo Governo que disse sempre que ‘os existentes eram suficientes’”.

Os deputados Duarte Marques, Nuno Serra, Teresa Leal Coelho, Luís Leite Ramos, Bruno Coimbra e José Carlos Barros enviaram dez perguntas ao Governo sobre a poluição no Tejo, lembrando que “na discussão do Orçamento do Estado de 2018 o Governo e a esquerda parlamentar recusaram e chumbaram a proposta do PSD que previa a transferência de verbas para reforçar os meios da APA e da IGAMAOT [Inspecção-geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território] porque os meios actuais era suficientes”.

Já Bloco de Esquerda (BE) pediu nesta quinta-feira a intervenção directa do primeiro-ministro, António Costa, para resolver o problema da poluição no Rio Tejo. "Ele saberá o que tem a fazer, mas tem que fazer alguma coisa porque o Tejo não pode continuar a degradar-se", afirmou o deputado bloquista Carlos Matias, em resposta aos jornalistas, quando lhe perguntaram que tipo de iniciativa poderia tomar António Costa.

O parlamentar recordou as várias iniciativas do BE sobre o caso de poluição no Tejo, como as perguntas ao Governo, requerimentos, perguntas ao ministro do Ambiente sobre a matéria. Depois das "inúmeras promessas" que "não têm qualquer tradução na realidade, como se comprova pelo episódio de ontem e de hoje, o primeiro-ministro não pode ficar calado, não pode permitir que esta situação continue", concluiu.