Há um mundo de pré-candidatos às presidenciais brasileiras

A quase dez meses das eleições, começam a perfilar-se os candidatos ao Palácio do Planalto, com Lula na liderança das sondagens.

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Eleições de 2014 Ueslei Marcelino/REUTERS

Lula da Silva, PT

Lula da Silva, o candidato do Partido dos Trabalhadores, lidera as sondagens mas pode ser impedido de se candidatar se se mantiver a condenação por corrupção no caso do tríplex do Guarujá. Mas Lula também é rejeitado por muitos eleitores: uma sondagem Datafolha de Novembro revelava que 39% dos brasileiros jamais votaria no ex-Presidente. Pior só Michel Temer (71% nunca votaria nele).

Manuela D’Ávila, PCdoB

Manuela D’Avila candidata-se pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que anteriormente apoiou Lula. A ex-jornalista e deputada nega a ruptura do seu partido com o ex-Presidente, e tem defendido que se Lula for impedido de se candidatar estas eleições serão uma fraude. Mas descartou a possibilidade de se apresentar como vice de Lula às eleições.

Marina Silva, Rede

A antiga senadora, ministra do Ambiente e ex-candidata presidencial, apresenta-se à nomeação pelo seu partido, Rede, para as eleições presidenciais, no congresso de Abril. Nas últimas eleições, ficou em terceiro lugar, em 21,32%, e pode conquistar votos de Lula.

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Marina Silva teve 21,32% nas últimas presidenciais Ricardo Moraes/REUTERS

Jair Bolsonaro

O candidato da extrema-direita, defensor da ditadura militar, é um ex-páraquedista transformado em político que se transforma numa versão brasileira de Rodrigo Duterte, lançando frases como “polícias que não matam não são polícias”, “o erro da ditadura foi torturar e não matar” ou “as mulheres devem ganhar menos porque engravidam”. O espantoso é que isso dá bons resultados nas sondagens. Permitiu-se até mudar de força política a meio da corrida: saiu do Partido Social Cristão, e deve ter o apoio do Partido Social Liberal.

Ciro Gomes (PDT)

O ex-ministro e ex-governador do Ceará já esteve em sete partidos em 37 anos de carreira política e já se candidatou à presidência duas vezes. Agora, a sua candidatura é considerada “irreversível” pelo Partido Democrático Trabalhista, a única formação brasileira a integrar a Internacional Socialista e tradicionalmente aliada do PT de Lula. Tem um estilo desabrido.

Geraldo Alckmin ou João Dória (PSDB)

O Partido da Social Democracia Brasileira terá de escolher entre o governador de São Paulo (Alckmin) ou o prefeito da cidade (Dória) para candidato. Mas Dória perdeu balanço, ao fazer uma série de viagens pelo país em 2017 para se promover – ainda é mais conhecido como o apresentador da versão brasileira do programa de Donald Trump The Apprentice do que como político. Alckmin já disputou umas presidenciais contra Lula (2006), foi citado no caso Odebrecht e ainda não é certo que seja o escolhido do PSDB.

Henrique Meirelles, PSD

O ministro da Fazenda de Michel Temer procura obter o apoio do partido do Presidente (PMDB) para concorrer, e corteja outros partidos, incluindo o chamado Bloco Evangélico, para construir uma candidatura ao centro viável. Mas embora 45% dos eleitores conheçam o homem que foi presidente do Banco Central do Brasil durante os dois governos de Lula e eleito o melhor banqueiro da América Latina, só 9% diz saber bem quem ele é. 

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Henrique Meirelles é o actual ministro da Fazenda Ueslei Marcelino/REUTERS