Peter Jackson vai modernizar a Primeira Grande Guerra

Imagens antigas vão ser colorizadas, restauradas e modernizadas para assinalar os cem anos do conflito armado: é o primeiro filme do neo-zelandês desde O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos. A estreia, em versão 3D, acontece no BFI Film Festival, em Outubro.

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No ano em que se assinala o centenário da Primeira Guerra Mundial, Peter Jackson está a preparar um documentário em que coloriza, restaura e moderniza, à mão, imagens do conflito. Ou seja, transforma imagens a preto e branco, com grão e pouca definição, em que o movimento é pouco fluído, em imagens de alta definição actuais. O projecto do neo-zelandês tem estreia marcada para o BFI London Film Festival, na segunda metade de Outubro, em versão 3D, passando depois pelas salas de cinema e pela televisão, via BBC One, que acompanhará a exibição com um making of. E ainda vai ser dada uma cópia a cada escola secundária do Reino Unido.

Ainda sem nome, o filme faz parte do 14-18 Now, o programa para o centenário da Primeira Grande Guerra – é um de 42 eventos só este ano – e foi comissariado pelo Imperial War Museum, museu das guerras britânicas com sede em Londres. Foi de lá que vieram as imagens, muitas delas nunca antes mostradas. Além delas, o documentário vai incluir entrevistas com veteranos, algumas vindas de uma série documental da BBC de 1964, The Great War. Ao todo, Jackson e a sua equipa passaram também a pente fino 600 horas de áudio desse tipo de conversas, gravadas entre os anos 1960 e 1990. Escolheu focar-se, em vez do que aconteceu em termos de acção e guerra, nos combatentes a falarem sobre aquilo por que passaram, para mostrar o lado humano deste acontecimento. 

A ideia, tem dito o realizador em entrevistas de promoção do documentário, é pôr as pessoas, principalmente as mais novas, na pele daqueles que participaram na guerra e dar uma nova noção daquilo que aconteceu realmente. Ou seja, dar o tratamento Peter Jackson, normalmente reservado a épicos de fantasia adaptados de J. R. R. Tolkien como O Senhor dos Anéis ou O Hobbit, ou de aventuras como o seu remake de King Kong, a uma guerra real, partindo de imagens reais.

Além deste filme, Jackson, que não realizava desde O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos, o filme que fechou a saga homónima em 2014, assinou, com a esposa Fran Walsh e a colaboradora regular dos dois, Philippa Boyens, o guião de Mortal Engines, uma adaptação da saga literária juvenil steampunk de Philip Reeve realizada por Christina Rivers e produzida por Walsh e Jackson. Tem estreia marcada nos Estados Unidos para 14 de Dezembro.