O que vai o Governo fazer para reduzir os tempos de espera, pergunta o BE

O Sindicato Independente dos Médicos denunciou que há utentes dos hospitais públicos que esperam mais de dois anos por uma consulta prioritária de oftalmologia. O secretário de Estado da Saúde, Fernando Araújo, admitiu esta terça-feira a existência de “tempos excessivos”.

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Rui Gaudêncio

Bloco de Esquerda questiona o Ministério da Saúde sobre o que vai fazer para reduzir os tempos de espera para as consultas e quantos profissionais espera contratar este ano para o SNS. O Sindicato Independente dos Médicos denunciou que há utentes dos hospitais públicos que esperam mais de dois anos por uma consulta prioritária de oftalmologia. O secretário de Estado da Saúde, Fernando Araújo, admitiu esta terça-feira a existência de “tempos excessivos”.

Na pergunta enviada ao Ministério da Saúde, o Bloco de Esquerda (BE) lembra a revisão dos tempos máximos de resposta garantidos, que reduziu os prazos recomendados para as primeiras consultas de prioridade normal de 150 para 120 dias. Mantiveram-se como tempo máximo de espera os 30 dias para casos muito prioritários, os 60 dias para os prioritários.

“Acontece que para melhorar a acessibilidade da população aos cuidados de saúde não basta publicar portarias se depois, na prática, não se garantem as condições para que o SNS aumente a sua capacidade de resposta”, escreve o BE na pergunta, para concluir: “O Governo tem que tomar medidas para que esses tempos de espera diminuam efectivamente. E sejamos claros: não o tem feito”.

O BE pergunta também ao ministério se pondera ou não reduzir o número de horas que os médicos são obrigados a fazer nas urgências, “libertando-os para as consultas e cirurgias de especialidade”. A redução de 18 para 12 horas semanais de urgências faz parte da lista de reivindicações dos sindicatos médicos, a par da revisão da lista de utentes por médico de família. A falta de entendimento e de propostas concretas por parte do ministério já levou os médicos a admitirem a possibilidade de avançar com uma greve de três dias no final de Março.