PCP alerta para possível regresso do bloco central

Jerónimo de Sousa deixa aviso depois da reunião do comité central do partido, que analisou a situação política.

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LUSA/Manuel Almeida

Jerónimo de Sousa lançou neste domingo um alerta para uma possível “retoma formal ou informal do chamado bloco central”. Numa conferência de imprensa após a reunião do Comité Central do PCP, o secretário-geral do partido deixou o aviso para eventuais acordos futuros entre PS e PSD, depois dos apelos frequentes que têm sido feitos neste sentido pelo Presidente da República e depois de o presidente do PS, Carlos César, ter afirmado na passada semana que o partido está disposto a consensos com todos os partidos, no que respeita à transparência e descentralização.

“O Comité Central do PCP alerta e denuncia o desenvolvimento de projectos reaccionários que, quer a partir das forças do grande capital e dos sectores políticos a elas associados no PSD, no CDS mas também no interior do PS, quer com recurso à criação e promoção de soluções populistas ou à retoma formal ou informal do chamado bloco central, visam intensificar a exploração e retomar o rumo de liquidação de direitos”, afirmou Jerónimo de Sousa. O líder comunista alertou ainda “para o recrudescimento do populismo e das concepções antidemocráticas que lhe estão associadas”.

Questionado sobre as "soluções populistas" a que se refere o PCP, Jerónimo de Sousa respondeu que a lei do financiamento dos partidos é "um exemplo paradigmático" e apontou à posição do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que vetou politicamente o diploma, devolvendo-o ao parlamento.

Indagado sobre a atitude do Presidente como parte dessa "onda de populismo" respondeu: "É uma consequência. O Presidente da República vetou e enviou o texto para a Assembleia da República, sendo de sublinhar que não tinha qualquer reserva constitucional às alterações".

"Então qual foi a razão objectiva, não havendo inconstitucionalidades, que o levou a vetar e a reenviar essa lei para a Assembleia da República? É uma pergunta que, naturalmente, tem de ser respondida pelo Presidente da República", sustentou.

O PCP está disponível para reconfirmar a lei vetada, ressalvando que a necessidade de uma maioria qualificada coloca o ónus no PSD (o PS já anunciou que confirmará o diploma). "É necessário uma maioria qualificada, aqui pesa, com certeza, o posicionamento do PSD, que esteve de acordo com as alterações. Em relação ao BE, acho que se está a fazer de morto, ainda não descobri qual é o posicionamento", afirmou Jerónimo de Sousa.

O secretário-geral do PCP salientou que “a situação económica e social do país continua marcada pelas consequências de décadas de política de direita”: “Os elementos positivos registados na evolução da situação económica do país, reflectindo o impacto da reposição de rendimentos e uma conjuntura externa favorável, não alteram o seu enquadramento estrutural.”

Antes, o líder comunista afirmou que a análise da vida política evidencia algumas questões. A primeira que referiu é que “o que se decide em eleições legislativas é, não a escolha de um primeiro-ministro, mas sim a eleição de deputados e da sua distribuição na Assembleia da República”

Jerónimo elencou os avanços alcançados por este Governo em defesa dos trabalhadores, salientando que os progressos só foram conseguidos graças à intervenção do PCP, lembrando que, no passado tal não aconteceu em governos socialistas. “A nova fase da vida política nacional confirmou o papel decisivo do PCP. Todas as medidas que traduziram avanços e passos na elevação das condições de vida tiveram a iniciativa, a persistência e a contribuição do PCP”, acrescentou, garantindo que o partido “continuará a não desperdiçar nenhuma oportunidade de contribuir em todas as circunstâncias para a elevação das condições de vida dos trabalhadores e do povo.

O comité central do PCP aprovou “a realização de uma campanha nacional de esclarecimento, informação e contacto com os trabalhadores com início em Fevereiro”, de acções “em defesa dos serviços públicos onde se integram os Encontros Nacionais do PCP sobre a situação na Educação e na Saúde” (a 17 de Março e 21 de Abril), e um dia “contra a degradação dos correios e pelo controlo público dos CTT, a 8 de Fevereiro. Anunciou ainda as “comemorações do II Centenário do nascimento de Karl Marx”, que terão início a 24 e 25 de Fevereiro com a realização de uma conferência, na Voz do Operário, em Lisboa. com Lusa

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