Exposição

Já há animais de Portugal na “maior arca fotográfica do mundo”

Leopardo-da-pérsia
Fotogaleria
Leopardo-da-pérsia

Quando Joel Sartore apontou uma das suas câmaras a uma fêmea de leopardo-da-pérsia, no Jardim Zoológico de Lisboa, sentiu a imponência do animal. “São os mestres do universo e só vão aonde querem, não têm medo de nada”, descreve o fotógrafo. “Por isso, quando decidiu aproximar-se demasiado da posição da minha câmara, tivemos de esperar até que decidisse afastar-se e voltar para perto do fundo branco. E isto demorou muito tempo!” O episódio aconteceu quando Sartore — o “Noé da fotografia”, como é apelidado por muitos — esteve em Portugal, em Outubro de 2017, para a inauguração da exposição do projecto Photo Ark na Galeria da Biodiversidade — Centro Ciência Viva do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto (UP). Em Lisboa e Vila do Conde, o norte-americano, que colabora com a revista National Geographic há mais de 20 anos, fotografou 12 animais e seis dessas imagens integram, agora, a mostra.

 

O leopardo-da-pérsia, o lobo-ibérico, a girafa-de-angola, a impala-de-face-negra, a serpente-rei-oriental e a lebre-ibérica foram as espécies escolhidas e retratadas: as primeiras cinco no Jardim Zoológico de Lisboa e a última no Campus Agrário de Vairão, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio) da UP. Além destas seis imagens novas, a exposição conta também com um vídeo que mostra os bastidores da sessão fotográfica no Zoo. A experiência foi, nas palavras de Sartore, “excepcional”. A “maior arca fotográfica do mundo”, cujo objectivo é fazer um inventário de todas as espécies animais em cativeiro, conta agora com exemplares de espécies que vivem em Portugal.

 

No Jardim Zoológico de Lisboa, explica o curador de mamíferos José Dias Ferreira, a escolha dos animais a retratar foi feita com base nas espécies que Joel Sartore ainda não tinha fotografado para o seu álbum de proporções bíblicas. A girafa-de-angola e a impala-de-face-negra, fotografadas no fundo preto que caracteriza o trabalho do norte-americano, são animais raros em cativeiro. Só há três exemplares de cada uma destas duas espécies em outros jardins zoológicos do mundo. “Daí a relevância”, sublinha José Dias Ferreira. No zoo de Lisboa, há dez girafas-de-angola e cinco impalas-de-face-negra. 

 

Das seis novas fotografias que integram a exposição no Porto, o curador destaca também a fêmea de leopardo-da-pérsia. “É a primeira fêmea desta subespécie nascida por inseminação artificial”, refere o também coordenador do programa de reprodução de leopardos-da-pérsia, animais em perigo de extinção. José Dias Ferreira salienta “o espírito de missão fortíssimo” que Sartore mantém, 11 anos depois de ter começado a preencher a Photo Ark. Para este “projecto espectacular” que entusiasma o curador do Zoo de Lisboa, Sartore já retratou 7521 espécies animais sob cuidado humano, num total de 25.096 imagens. E o número está sempre a aumentar.

 

Nuno Ferrand, coordenador científico do CIBIO — onde a lebre-ibérica foi fotografada —, realça o “gradiente de riqueza específica de espécies” que o Sul da Europa apresenta. “Ao projecto faltam espécies típicas desta região, com penínsulas muito ricas como a Ibérica.”

 

Além das novas adições à exposição que ocupa várias salas da Galeria da Biodiversidade, Sartore também fotografou outras espécies durante a sua passagem pelo Jardim Zoológico de Lisboa: o leão-africano, o macaco-de-nariz-branco, o caimão-anão, a tartaruga-de-lama-de-adanson, a gralha-preta e o milhafre-preto. Não integram a exposição, patente no Porto até 29 de Abril próximo, mas fazem crescer a população da Photo Ark e podem ser vistas no site do projecto.

Lebre-ibérica
Lebre-ibérica
Lobo-ibérico
Lobo-ibérico
Girafa-de-angola
Girafa-de-angola
Impala-de-face-negra
Impala-de-face-negra
Serpente-rei-oriental
Serpente-rei-oriental