Hans/Pixabay
Foto
Hans/Pixabay

Megafone

A estratégia europeia de combate ao plástico explicada ao cidadão

De 1960 até agora, a produção global de plásticos aumentou em 20 vezes, atingindo 322 milhões de toneladas em 2015. As previsões apontam para que este número seja duplicado nas duas próximas décadas

A Comissão Europeia (CE) lançou, esta terça-feira, 16 de Janeiro, Estratégia Europeia para os Plásticos numa Economia Circular para controlar e eliminar o lixo e plástico que actualmente existe em terra, no mar e no ar. Os três objectivos da estratégia são pragmáticos: até 2030 todas as embalagens de plástico no mercado da União Europeia têm de ser recicláveis; o consumo de objectos de plástico descartáveis tem de ser reduzido; e, por fim, a utilização intencional de microplásticos — pedaços com menos de cinco milímetros de diâmetro — será restringida. Faltam 12 anos para 2030 e o combate sério ao plástico começa agora.

A Estratégia Europeia para os Plásticos vem alterar o modo de concepção, produção, utilização e reciclagem dos bens actualmente fabricados na União Europeia. Para os produtores de embalagens de plástico, a CE vai exigir o aumento da reciclabilidade dos plásticos e da procura por plástico reciclado, isto é, não só vão ter que passar a produzir embalagens recicláveis como terão de incorporar plástico reciclado como matéria-prima. Estas normas trarão um aumento da quantidade de plásticos reciclável e é previsível que as entidades gestoras de resíduos de embalagens tenham que aperfeiçoar os seus processos e até ampliar as instalações actuais. Está prevista a criação de 200 mil novos empregos nas indústrias de triagem e reciclagem.

A utilização de microplásticos também vai ser restringida e vão ser criadas novas regras para os rótulos dos plásticos biodegradáveis e compostáveis. A deposição de lixo no mar passa a ser proibida — os resíduos gerados nos navios ou recolhidos no mar não são mais deixados para trás, mas devolvidos a terra para serem geridos de forma adequada. A Comissão Europeia disponibiliza 100 milhões de euros para financiar a criação de materiais plásticos mais inteligentes e mais recicláveis, o aumento da eficiência dos processos de reciclagem e o rastreio e eliminação de substâncias perigosas e contaminantes provenientes de plásticos reciclados.

De 1960 até agora, a produção global de plásticos aumentou em 20 vezes, atingindo 322 milhões de toneladas em 2015. As previsões apontam para que este número seja duplicado nas duas próximas décadas. As oito milhões de toneladas de plástico que terminam anualmente no oceano são um dos sinais mais visíveis da necessidade de combater o plástico. Os plásticos são 85% do lixo encontrado nas praias de todo o mundo. Pairam no ar e — em formato de microplásticos — são inalados pelos nossos pulmões e chegam à comida que ingerimos. A implicação deste fenómeno para a saúde humana ainda é desconhecida.

Anualmente, os europeus geram 25 milhões de toneladas de resíduos de plástico, sendo que menos de 30% são recolhidas para reciclagem. Temos, portanto, uma margem de 70% para crescer. A Estratégia Europeia para os Plásticos vem facilitar-nos a vida na identificação, separação, reutilização e reciclagem de plásticos. Teremos novas opções de escolha para evoluirmos para estilos de vida mais sustentáveis. Os esquemas de reembolso de depósitos de plástico, também previstos na estratégia, são um exemplo de como os consumidores podem ser recompensados pelas suas escolhas sustentáveis. É um voltar ao passado — de certeza que nos lembramos de devolver garrafas de vidro no supermercado e sermos reembolsados por isso. Desta vez será com embalagens de plástico. A Comissão pede-nos também que façamos voluntariado na limpeza de locais onde existem resíduos de plástico para evitarmos que mais este plástico vá parar aos oceanos.

A Estratégia Europeia para os Plásticos pretende proteger os cidadãos e o ambiente na medida em que a concepção e produção dos novos plásticos passe a respeitar a criação de materiais sustentáveis e as necessidades de reutilização, reparação e reciclagem. Em paralelo, lança as bases para uma nova economia do plástico.

Relembrando algumas das mensagens de Frans Timmermans, primeiro vice-presidente da Comissão Europeia e responsável pelo desenvolvimento sustentável, “temos de impedir que o plástico continue a insinuar-se nos nossos corpos através da água e dos alimentos que consumimos. A única solução a longo prazo é diminuir a quantidade de resíduos de plástico, reciclando e reutilizando mais. Trata-se de um repto a que cidadãos, indústria e governos devem responder conjuntamente”.c Vamos nessa?