Opinião

Cartas ao director

Nova Presidência

Após as recentes eleições internas no Partido Social Democrata que elegeram o novo presidente daquela força política, uma das últimas frases do ainda presidente, é que a política vale a pena, o que não é de admirar se pensarmos que um dos objectivos nobres dos políticos, deveria ser servirem o país.

Portugal é um país que só no continente tem 278 concelhos, e servir esta pequena mas diversificada nação, não é para todos, pelo que aqueles que que têm a nobre pretensão de servir os cidadãos, têm a responsabilidade acrescida de olhar para o país como um todo, e não servir apenas grupos de interesses como tem vindo a acontecer ao longo dos anos.

A mudança de liderança no Partido Social Democrata, poderá não corresponder a um virar de página, se continuarmos a assistir ao distanciamento entre os novos protagonistas com ambições de salvadores da pátria, e os cidadãos cansados de discursos ricos em teoria, os quais fazem com que a política valha a pena, apenas para a projecção social de alguns que se esquecem que a mesma só acontece como resultado do benefício da dúvida, ou distracção de muitos cidadãos.

Mais do que unir um partido com uma nova liderança, seria muito mais interessante passar uma imagem credível para os cidadãos que não se revêem em partidos, mas em estratégias de mudança positiva que não fique por intenções, e fizesse com que os mesmos acreditassem que a política só vale a pena quando exercida em prol dos cidadãos.

Américo Lourenço, Sines

Portugal país das tragédias...

...como é infelizmente do conhecimento de todos nós, o ano que recentemente terminou foi o da calamidade dos fogos, em que perderam a vida mais de 150 pessoas, e muitas ainda estão com gravíssimos problemas de saúde, hospitalizadas. Começámos 2018 com mais uma tragédia em Tondela, até agora morreram 8 pessoas e perto de 40 ficaram feridas. Segundo notícias vindas a público tratou-se de fogo no interior da Associação Cultural, Recreativa e Humanitária de Vila Nova da Rainha,em que um bombeiro, afirmou, que estas instalações - não tinham condições de segurança - e por isso, originou mais esta tragédia. Não tenho espaço, neste jornal, para mais em profundidade tecer considerações sobre esta tragédia na Festa de Vila Nova da Rainha, não tenho, mas o espaço que ainda me resta, é para os desabafos de Marcelo Rebelo de Sousa- "É fácil de dizer, que deveriam ter usado a outra porta, quando as pessoas estão em pânico, é mais difícil de fazer"...agora, e nos incêndios de 2017, a "conversa" é sempre a mesma...a gente só aprende quando é tarde demais...mas bom entendedor meia palavra basta!

Tomaz Cardoso Albuquerque, Lisboa

TINA prá-frente

Há por aí alguns articulistas que dizem não saber o que é a “treta da 'matriz social-democrata'” que o PSD devia ter. Um deles é João Miguel Tavares (ver seu artigo no Público de 13 de Janeiro). Vamos ajudá-lo? Se calhar, não precisa, já que sabe tanto e tantas coisas. Porém, “aquilo” escapa-lhe, mas sabe, por exemplo, que Rio ou Santana (na altura em que escreveu, agora já é só Rio) “vão ser a cada momento aquilo que a economia lhes permitir”. Descontado o optimismo de JMT, ao entrever a possibilidade de algum deles vir a ser primeiro-ministro - do que, sinceramente, duvido, embora não seja impossível - o que ele deixa dito em definitivo é que as ideologias não importam, que “a conversa das divergências ideológicas é pura treta”. Tudo se resume ao “poder” da economia. Nada de novo, afinal. JMT agarra-se à TINA (There Is No Alternative) quando já todos percebemos que há, de facto, alternativas. Mas, para elas aparecerem, é necessário que se tomem escolhas, e é natural que, a JMT, pareça que algumas delas são inconvenientes. Por isso, TINA prá-frente.

José A. Rodrigues, Vila Nova de Gaia