Linhas Azul e Amarela reforçadas de manhã na hora de ponta

Plano de actividade do metro de Lisboa para este ano prevê o reforço da oferta, bem como um aumento da procura potenciado pelo turismo e crescimento económico.

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Metro de Lisboa vai ter mais duas estações entre o Rato e o Cais do Sodré Margarida Bastos

As linhas Azul e Amarela do Metropolitano de Lisboa vão ser reforçadas com mais um comboio à hora de ponta (7h30-9h30) nas manhãs dos dias úteis.

De acordo com o plano de actividades e orçamento da empresa para este ano, esse reforço vai também verificar-se durante as tardes do fim-de-semana nestas duas linhas, bem como na Vermelha. O PÚBLICO questionou o metro para saber a partir de quando é que este reforço será efectuado, mas não teve uma resposta.

A empresa garante ainda que haverá em circulação comboios com seis carruagens aos sábados e domingos na linha Vermelha e na Azul, além da linha Verde. Neste último caso, o aumento do número de carruagens ocorreu na sequência do encerramento da estação de Arroios, que só deverá ser reaberta em 2019.

De acordo com o plano de actividades do metro, para além deste incremento da oferta está em estudo, tal como adiantou o Jornal de Negócios, “a possibilidade de alteração de velocidade máxima de circulação de 45 km/h para 60 km/h” quando "seja necessário", o que permite “aumentar a regularidade por via da redução do custo de atrasos”.

A empresa, liderada por Vítor Domingues dos Santos, afirma que o reforço da oferta advém da “necessidade de responder ao aumento da procura”, impulsionado pelo crescimento do turismo e da economia (com mais empregos).

Segundo os dados mais recentes da empresa, que já tem dado vários sinais de dificuldades em responder à procura, com atrasos e supressões, no ano passado superou a fasquia dos 160 milhões de passageiros (mais concretamente, chegou às 161.490 mil passagens validadas), o que representa uma subida da ordem de 12,7% face a 2016. Este número é superior à estimativa que a empresa tinha para 2017 quando elaborou o plano de actividades (em Setembro do ano passado), e que apontava para 153 milhões de passageiros.

Apesar da perspectiva de aumento das receitas com o crescimento da venda de bilhetes e passes, a administração do metro prevê um aumento ainda maior dos gastos, por via do reforço do quadro de pessoal e da aposta na manutenção de material circulante.

De acordo com o metro, a previsão é a de que 90% do material circulante existente, composto por 333 carruagens (das quais 111 são de tracção) esteja disponível este ano, contra 78% de 2017.

Por isso mesmo, a empresa antecipa um agravamento do EBITDA em cerca de 12 milhões de euros, quando este indicador financeiro devia estar a melhor. Para tal, o metro teve de pedir uma autorização especial ao Governo, e, com isso, conseguir um “aumento da qualidade da prestação de serviços, que decaiu nos últimos anos pelos diversos constrangimentos orçamentais”.

O resultado líquido da empresa, que foi negativo em 44 milhões de euros em 2016 e em cerca de 60 milhões no ano passado, também irá ressentir-se.

Este ano, a empresa pública de transportes estima receber 690 milhões de euros por parte do Estado, com a maior fatia a ter origem na Direcção-Geral do Tesouro e Finanças (com um empréstimo de 497 milhões), seguindo-se uma dotação de capital de 189,6 milhões. Este dinheiro servirá para pagar dívidas (principalmente à banca, no valor de 564 milhões), colmatar o défice de exploração e ajudar ao plano de investimentos.

Há cinco milhões para expropriações

O plano de investimentos para este ano prevê 27,3 milhões de euros para remodelações na rede (como melhorias nos acessos, por exemplo), a que se somam outros 19,4 milhões para o início das operações do prolongamento do Largo do Rato para o Cais do Sodré. Prevê-se que as obras comecem no segundo semestre deste ano, e que esteja tudo concluído em 2022. Para já, os 19,4 milhões estimados para este ano servirão para procedimentos como o reconhecimento geológico e geotécnico, serviços especializados e “empreitada de toscos”. Pelo meio, o metro já colocou de lado cinco milhões de euros a pensar na factura das expropriações.

A ligação ao Cais do Sodré será através da Estrela e Santos, onde haverá duas novas estações. Em Maio, quando o plano de expansão foi anunciado, a empresa afirmou que a estação da Estrela ficará localizada na Calçada com o mesmo nome, junto ao antigo Hospital Militar e em frente à Basílica da Estrela. Já a de Santos ficará junto ao edifício do Batalhão dos Sapadores de Lisboa, e na última fase da ligação ao Cais do Sodré, "recorrer-se-á a construção a céu aberto", disse então o metro.