Opinião

Cartas ao director

Rui Rio

O sr. Rui Rio, que por vezes se descai e se diz hipocritamente social-democrata, no fim de anos sombrios para a política camarária portuense, deixou a cidade cheia de sem-abrigo e sem cultura. Espero que os seus opositores, a começar pelo horror de seus opositores internos (na foto principal da "festa" aparecem apenas como amigos visíveis o atroz Morais Sarmento e outro brutamontes desconhecido), não permitam que o senhor faça o mesmo ao país. Não se esqueçam que ele já ameaçou querer pôr tudo na ordem e fazer pior do que a Luisinha Albuquerque. Que não queiramos ficar definitivamente sem, sem Portugal! 

Nelson Miguel Bandeira, Porto

Ex-directora do PÚBLICO: uma tentativa de condicionar a justiça

No PÚBLICO de 12/1, no artigo "Em defesa de um homem sem escrúpulos", Bárbara Reis, a martelo, decreta inaceitavelmente um sentimento e, por isso, uma  intenção falsa à Gradiva com o que  considero ser o objectivo ignóbil de tentar condicionar um processo em que sou arguido: "o livro Eu e os Políticos que a Gradiva publicou com gosto." (Itálico meu.)

A Gradiva é uma editora plural, não é um orgão de qualquer instituição ou lobby. Por isso a decisão dos seus editores não é determinada pelo "gosto" pessoal relativamente ao conteúdo dos livros que publicam. Vários e mesmo contraditórios, claro.

Será que BR "gosta" de  todos os artigos que  o PÚBLICO inseriu nos anos o dirigiu?

Talvez BR se tenha atrevido a decretar o "gosto" com que a Gradiva publicou esse livro pelo facto de eu ter declarado em brevíssima resposta telefónica à TSF que nas mesmas circunstâncias em que decidi publicá-lo sem o ler voltaria a tomar a mesma decisão. Nada dele, aliás, fora entregue à editora quando tomei essa decisão, por razões discutíveis, naturalmente, mas que BR não conhece.

Não será humano concluir estar BR a querer tentar prejudicar-me interferindo de algum modo no processo em que sou arguido pelo facto da Gradiva ter editado esse livro? E a prejudicar as pessoas que numa editora com mais de 25 anos, com o critério e a qualidade reconhecidos, aí trabalham e decidem? Não ferirá isso o código deontológico dos jornalistas? Ou, pelo menos, o que deve ser a inteligência e a ética de liberdade? Não ofenderá mesmo o livre juízo dos tribunais? E como achará Bárbara Reis que se sente um homem de 76 anos, que teve a vida que tem, a ser usado nesta "brincadeira"? A mim, que nem a conheço, quer linchar-me porquê?

Guilherme Valente

Nota da Direcção

Ao escrever que a Gradiva editou com “gosto” o livro de José António Saraiva, Bárbara Reis refere-se, como está indicado no seu texto “Em defesa de um homem sem escrúpulos”, ao facto de o livro ter tido 13 edições, um feito raro em Portugal e um sucesso comercial que com certeza traz alegria a qualquer editor.