Marcelo diz que "tudo funcionou" no socorro

Presidente visitou as instalações da associação recreativa e viu os contornos do fogo, percebendo o pânico de quem estava no local e optou pela saída errada. Responsável da associação diz que havia os "licenciamentos necessários".

O Presidente da República elogiou a forma como foi feito o socorro às dezenas de pessoas que estavam na associação recreativa de Vila Nova da Rainha, em Tondela, quando o fogo deflagrou, afirmando que "tudo funcionou" na noite de sábado, apesar da morte de oito pessoas. Outras 38 ficaram feridas, estando ainda 29 internadas em hospitais de Viseu, Porto, Coimbra e Lisboa, das quais pelo menos quatro correm perigo de vida.

Marcelo Rebelo de Sousa, que chegou ao local acompanhado pelo ministro da Administração Interna pelas 12h15, louvou a "forma abnegada e competente como as várias instituições intervieram em tão curto lapso de tempo, numa situação difícil e de forma excepcional".

"Todas, da Saúde à Protecção Civil, passando pelo contributo da Força Aérea [que transportou os feridos entre hospitais], das estruturas de socorro e de transporte mais próximas ou mais distantes. Tudo funcionou", fez questão de realçar quando falou com os jornalistas, já depois de ter estado dentro do edifício da associação, numa visita guiada pelos autarcas e responsáveis da instituição local. E haveria de insistir, alargando os elogios aos autarcas e deputados, que “todos estiveram à altura da circunstância”.

Questionado pelos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa contou que o presidente da associação “diz que os licenciamentos que eram necessários para este tipo de actividades estava preenchido”.

E quando lhe perguntaram sobre a existência de uma porta da rua que abria para dentro – ao contrário do que é suposto acontecer em equipamentos de uso comunitário –, o Presidente da República lembrou que “havia ao lado uma porta precisamente que abria para fora. Mas como a que ficava em frente das escadas era a mais óbvia, evidente e mais utilizada porque a outra normalmente estava fechada… Aquela que podia ter dado a saída para o piso que ficou incólume [não foi usada].”

“Isto é fácil de dizer mas quando se trata de uma realidade muito curta em que as pessoas estão em pânico, é mais difícil de fazer [opções]… só vivendo”, acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa. É uma situação “daquelas que desejaríamos não ter ocorrido; é muito dramática para quem aqui vive” e para quem perdeu familiares e amigos.

Assim que chegou, Marcelo Rebel o de Sousa entrou no edifício da associação com os autarcas locais e foi ao primeiro andar numa visita guiada. À saída disse que “dá perfeitamente” para perceber como a tragédia aconteceu “pela posição das mesas, pela localização das pessoas, da salamandra, da saída para as escadas, pela falta de outra hipótese [de escapar]”. Contou que a sala do primeiro andar dava também para uma marquise - que já foi uma varanda aberta mas foi fechada com janelas de alumínio há alguns anos - mas sem acesso à estrada, e que parte do tecto ruiu, o que explica os ferimentos na cabeça e nos braços.

À semelhança do que fez na sequência dos incêndios do ano passado, o Presidente da República disse que tentará estar com as famílias das vítimas, mas no caso das que registaram mortos prefere “respeitar a vivência familiar” das primeiras horas de dor. 

Depois, Marcelo cumprimentou muitas pessoas que estavam ali na rua, e confortou mais demoradamente alguns que contam com mortos na família.

Mais tarde, no hospital de Viseu, o Presidente visitou quatro feridos, que disse estarem "fisicamente a recuperar muito bem".

"Verifiquei que estavam os quatro cheios de força", disse, aproveitando ainda para elogiar a capacidade de resposta "espectacular" dos serviços de urgência: "Merece um louvor e agradecimento".