Alarme com quase duplicação de ninhos de vespa-asiática

Ambientalistas alertam que fenómeno está a ficar “incontrolável”.

A Vespa velutina foi detectada pela primeira vez em 2011 no Minho
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A Vespa velutina foi detectada pela primeira vez em 2011 no Minho PAULO PIMENTA

Portugal não está mesmo a conseguir parar o avanço da vespa-asiática. No ano passado, entre Janeiro e Novembro, foram detectados 4495 ninhos de vespa-asiática, o que significa quase o dobro dos 2537 descobertos em 2016, mostram os números do Ministério da Agricultura, citados neste sábado pelo Jornal de Notícias.

Somando estes dados aos 3363 ninhos encontrados em 2015, verifica-se que em três anos foram descobertos mais de 10 mil ninhos. E os números reais podem ser “três a quatro vezes” superiores, avisa João Branco, ambientalista da Quercus, destacando que o fenómeno já chegou ao Algarve e a centros urbanos. “Estamos muito próximos do descontrolo total da progressão da espécie”, alertou em declarações ao JN.

A Vespa velutina foi detectada pela primeira vez em 2011 no Minho e desde então tem alastrado a mais áreas do território português. Como o PÚBLICO já escrevia em Outubro de 2015, Portugal não está a conseguir travar o avanço desta espécie que tem efeitos nefastos na agricultura, na biodiversidade, na produção de mel e representa igualmente um risco para a saúde pública.

A praga veio juntar-se a outros problemas da apicultura, como a morte de abelhas provocada pelo uso de pesticidas, pela varroa e outras doenças e pela seca, que lhes roubou também muito alimento. “Cercadas” pelas vespas, as abelhas deixam de sair, produzem menos mel, enfraquecem e morrem.

Segundo o Jornal de Notícias, durante este mês deverão ser conhecidas as linhas mestras da estratégia nacional de combate a esta espécie, no âmbito de uma comissão criada pelo Ministério da Agricultura.