"Continuo a ser Pedro Santana Lopes e assumo tudo o que fiz"

O candidato derrotado assegurou que não vai desistir do combate político

Já se começava a desenhar a derrota de Pedro Santana Lopes mas a sala de um hotel em Lisboa onde o candidato viria a assumi-la estava cheia de cadeiras vazias. Para minimizar a imagem de desalento foram retiradas algumas cadeiras  mas voltaram a ser colocadas quando dezenas de militantes encheram a sala. Santana Lopes entrou sorridente, por entre palmas e gritos ao PSD, e deixou uma mensagem de resistência ao combate. No final, falou para os jornalistas e voltou ao princípio: "Continuo a ser Pedro Santana Lopes, assumo tudo o fiz e agora soma-se mais esta campanha".   

Com a maioria dos "passistas" ao seu lado, Santana Lopes perdeu as eleições internas, mas quis mostrar que é prematuro declarar a sua morte política. A carreira política acabou? "A carreira não sei, o combate não", afirmou já depois de receber muitos cumprimentos à saída da sala em que fez o discurso da derrota. Não voltou a dizer 'vou andar por aí' - mas sim "vou continuar a sonhar" - e deixou uma mensagem que recupera um célebre slogan anti-fascista: "Eu vou continuar a combater politicamente. Como alguém disse um dia, só é derrotado quem desiste".

Começou por dizer que ligou a Rui Rio a felicitá-lo pela vitória - Assunção Cristas informou que fez o mesmo - e disse "ter orgulho nesta campanha". 

"O PSD fez a sua escolha. Quando apresentei a candidatura disse que era para o PSD escolher", afirmou o ex-primeiro-ministro. "Aprendemos todos a importância da coerência da política", afirmou. Ainda sem os resultados oficiais, Santana Lopes disse estar curioso como "politólogo humilde" para fazer a análise dos resultados. 

Perante muitas caras de desalento e olhos vermelhos, Santana Lopes fez um apelo: "Peço a todos e todas para não estarem tristes". Na noite eleitoral, esteve acompanhado pela família. Disse-lhes que "estava calmo, sereno e tranquilo" e que o "importante em política, lutar por aquilo que acreditamos", afirmou, tendo recebido uma forte salva de palmas. 

Apesar da derrota, Santana sublinhou as linhas da sua moção de estratégia global. "Continuamos a acreditar que Portugal pode crescer mais do que a média europeia, pode diminuir o fosso entre os ricos e os mais pobres, pode apostar na inovação, na economia de baixo carbono", recordou, perante a plateia onde estava o seu mandatário nacional, Almeida Henriques, e o mandatário de Lisboa, Pedro Pinto, mas também colaboradores mais próximos como Helena Lopes da Costa.

Antes de voltar a subir para o elevador, os jornalistas quiseram saber o que vai fazer Santana Lopes que deixou de ser Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa para concorrer à liderança do PSD. “Sou advogado, docente universitário e humilde”, disse. E agradeceu a todos “lá em casa”. Acabou a dizer “sou Pedro Santana Lopes e assumo tudo o que fiz”, a frase marcante com que apresentou a sua candidatura à liderança do PSD, no passado mês de Outubro. 

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