Depois de votar, Passos alerta: "PS procurará reeditar" a "geringonça"

O ainda líder dos sociais-democratas disse que sai bem consigo e com os outros.

Não é uma frustração. É uma constatação. Pedro Passos Coelho assumiu neste sábado, depois de votar nas eleições que definirão quem será o seu sucessor, que não vive com "nenhum lamento" por ter ganho as eleições de 2015 e não ter podido governar, mas alerta para o facto de o PS procurar reeditar a "geringonça".

"Espero que o próximo líder se possa afirmar, tenha a possibilidade de se bater por um bom resultado e possa governar. Eu ganhei e não pude", recordou, para continuar: "Não tenho dúvidas de que o PS tentará reeditar esta solução. Por isso, ao PSD não bastará ganhar, os portugueses vão ter de votar muito significamente no PSD. Será um desafio nada simples de cumprir".

Pedro Passos Coelho, que passará a pasta ao novo líder no congresso de Fevereiro, disse que sai do partido bem consigo próprio "e com os outros" e que tratará, agora, da sua vida "que não será de líder do PSD", mas de observador atento. "Saio bem comigo e com os outros. Há pessoas que saem arreliadas e frustradas. Não é o meu caso. Não quer dizer que tenha feito tudo bem", assumiu.

Sobre a campanha e os candidatos, Passos sublinhou que ambos os candidatos "calcorrearam o país e o partido", numa campanha que "foi intensa e que demorou bastante tempo". "Eles [os militantes] hoje têm uma visão mais esclarecida sobre a decisão que irão tomar", concluiu. 

E acrescentou: "Nesta altura debatem-se as grandes linha de orientação, o ponto de partida. Isso está bem patente em relação a cada um dos candidatos. O programa eleitoral surgirá mais próximo das eleições", como é habitual.

Aos 53 anos, Pedro Passos Coelho deixará a liderança do PSD, partido à frente do qual esteve durante oito anos, tornando-se o segundo líder que mas tempo sobreviveu na presidência social-democrata (Cavaco Silva esteve dez anos à frente do PSD).

PÚBLICO -
Aumentar

Santana. Mendes e Rio já votaram

Pedro Santana Lopes também já votou, em Lisboa, na mesa instalada no Hotel Sana e à chegada encontrou-se com Pedro Passos Coelho, que ia a sair. Após depositar o voto na urna, respondeu brevemente aos jornalistas para dizer que, depois de serem conhecidos os resultados, o importante será "unir o partido".

"Demos hoje uma grande prova de força, de grande confiança no nosso partido. Estou bastante confiante, mas em dia de eleições não devemos falar em resultados", disse também.

No Porto, após votar, Rui Rio mostrou-se "confiante" e contente com a "muita afluência" e disse que "o partido está hoje em melhores condições de de relançar do que estava há dois meses" porque a campanha ajudou a revitalizar o PSD.

"Esta participação dos militantes é que dá vida ao partido. Antigamente eram os congresso, mas era só um fim-de-semana", referiu, para se assumir adepto das directas e acrescentar que aceitará "qualquer resultado".

O ex-líder do PSD, Marques Mendes, falou aos jornalistas à saída do Hotel Sana, onde depositou o seu voto, para dar um conselho ao futuro líder: "Que seja magnânime para ser capaz de integrar todos". E insistiu: "Ambos os candidatos merecem um cumprimento porque as suas candidaturas foram actos de coragem. A conjuntura nacional não favorece muito quem está na oposição", concluiu.