Assassino de Mississipi em chamas morreu na prisão aos 92 anos

Era membro do KKK e foi ele quem organizou os homicídios de três jovens activistas no Verão de 1964. Só em 2005 foi condenado a 60 anos de prisão.

Foto
No julgamento, em 2005, ficou claro que Killen continuava a defender a segregação da população negra RICK GUY/EPA

Edgar Ray Killen, o chefe do Ku Klux Klan condenado pelo homicídio, em 1964, de três activistas do direitos dos negros nos Estados Unidos — caso retratado no filme Mississipi em Chamas —, morreu na prisão. Tinha 92 anos.

Killen cumpria três penas consecutivas de 20 anos por homicídio. Só foi condenado 41 anos depois do crime — James Chaney, Michael Schwerner e Andrew Goodman, os três na casa dos 20 anos e membros do Congresso para a Igualdade Racial, foram alvo de uma emboscada do KKK e assassinados.

Estavam envolvidos em actividades do Freedom Summer (Verão da Liberdade) no Mississípi, uma campanha voluntária lançada no Verão de 1964 que, neste estado, queria registar os eleitores negros que estavam proibidos de votar desde o início do século XX.

Chaney (negro), Schwerner e Goodman (ambos judeus brancos) investigavam um incêndio provocado pela explosão de uma bomba numa igreja de uma congregação negra perto de Filadélfia, no Mississípi. Um xerife local prendeu-os e acusou-os de tráfico de droga e libertou-os depois de avisar o KKK. 

Os três desapareceram e o governador do Mississípi disse que este desaparecimento tinha sido fabricado — relembra o jornal britânico The Guardian que o senador segregacionista Jim Eastland chegou a dizer ao Presidente Lyndon Johnson que tudo não passava de um “golpe publicitário”, mas os corpos foram encontrados enterrados numa quinta seis semanas depois, quando o FBI recebeu uma indicação.

O crime chocou os Estados Unidos e abriu caminho para a aprovação da Lei dos Direitos Civis de 1964, que pôs fim à segregação, à discriminação devido à cor da pele, religião ou sexo, e que deu direito de voto a todos.

Edgar Ray Killen foi considerado o organizador do crime. E a investigação federal feita na época — por iniciativa do procurador-geral Robert Kennedy — acusou 18 homens, que foram a julgamento em 1967. O júri, composto apenas por homens brancos, condenou sete deles a penas baixas — a mais pesada foi de sete anos de prisão.

O julgamento de Killen, que era pregador baptista e trabalhava numa serração, foi anulado porque o júri não conseguiu apresentar um veredicto. Killen, ficou provado, não estava no local do crime. E a justiça do Mississípi deixou cair o caso até 2005, quando voltou a julgar Edgar Ray Killen, que tinha 80 anos quando foi condenado a três penas de 20 anos de prisão.

Neste segundo julgamento, ficou provado que tinha sido ele a orquestrar o crime e a dar as instruções para que os corpos fossem escondidos. No tribunal ficou também demonstrado que Killen ainda defendia o segregacionismo.

Recorreu, mas o supremo tribunal estadual validou a pena e a sentença pelos três crimes de ódio no Verão da Liberdade no Mississípi.