Favoritismo de Federer é a única certeza no Open da Austrália

Boris Becker crê que o calor pode ser um aliado de João Sousa no primeiro torneio do Grand Slam.

Federer é o favorito ao triunfo no Open da Austrália
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Federer é o favorito ao triunfo no Open da Austrália Reuters/DAVID GRAY

A realização do Open da Austrália logo na terceira semana da época suscita sempre muitas dúvidas, dado a pouca competição existente no início do ano. Mas nesta edição de 2018, que se inicia na madrugada deste domingo, há ainda mais pontos de interrogação: estará Rafael Nadal fisicamente capaz de repetir a presença na final de 2017? Conseguirá Novak Djokovic recuperar totalmente para se apresentar como um candidato? E quem irá aproveitar a ausência da campeã em título, Serena Williams? Uma certeza existe, porém: Roger Federer é o jogador sobre quem cai a maior dose de favoritismo para revalidar o título em Melbourne e erguer o 20.º troféu do Grand Slam.

Boris Becker, ex-número um mundial e um dos comentadores no canal Eurosport, que transmite o torneio em exclusivo, confirma a, praticamente unânime, aposta em Federer, que preparou-se em Perth, levando a Suíça à conquista da Hopman Cup, derrotando pelo caminho dois adversários do "top-10". “Defende o título e teve uma última época fantástica. Fiquei impressionado com a forma como ganhou os quatro encontros na Hopman Cup e, na final, venceu Alexander Zverev. Nadal tem alguns pontos de interrogação, tal como Djokovic. Impressionante foi também a vitória de Nick Kyrgios em Brisbane; está sem dúvida em grande forma. Dominic Thiem constipou-se em Doha… em resumo: Federer é o principal favorito”, concluiu Becker.

Para o campeão alemão, vencedor do Open da Austrália em 1991 e 1996, o trabalho realizado nas poucas semanas que antecedem o primeiro torneio do Grand Slam são cruciais para o sucesso. “A chave é colocarem-se em forma o mais rapidamente possível, após uma paragem entre épocas. Vai depender se estão fisicamente prontos, do que fazem nos torneios que disputam antes, o quão rápido se conseguem adaptar às condições, que podem ser muito difíceis para os jogadores, devido ao muito calor. Quanto mais cedo se chegue à Austrália, mais fácil e melhor será a adaptação”, explicou.

O ex-treinador de Djokovic acredita que o sérvio deve ir a jogo, mesmo não estando na melhor forma, devido à lesão no cotovelo direito que o impede de competir desde Julho. “Primeiro que tudo, espero que possa jogar. As desistências da exibição em Abu Dhabi e do torneio de Doha não foram um bom sinal. Já não sou o seu treinador, mas eu aconselhá-lo-ia a competir, pois só jogando oficialmente poderá avaliar a que nível se encontra”, afirmou Becker.

Na conferência telefónica, na qual o PÚBLICO foi o interlocutor português, Becker falou também de João Sousa, que o actual dirigente da federação alemã, com a responsabilidade do ténis masculino, pôde ver ao vivo, em Setembro, durante o play-off da Taça Davis. “Foi uma eliminatória difícil, equilibrada e penso que tivemos sorte no fim. Não conheço muito da história do ténis em Portugal, mas sempre tiveram bons jogadores, boas equipas. Penso que as condições na Austrália podem ajudar Sousa, que deve gostar de jogar ao ar livre, com calor”, adiantou Becker.

Quanto ao torneio feminino, a opinião é também unânime: não há favoritas. “Dado que não está Serena, é um torneio aberto. Simona Halep ganhou o torneio de preparação em Shenzhen. Mas penso que Angelique Kerber pode surpreender-nos pela positiva. Fiquei muito entusiasmado com a maneira como ganhou os quatro encontros em Perth sem ceder nenhum set. "Angie" ganhou o Open há dois anos, não foi há muito tempo. Estou curioso…”, adiantou Becker.