Secretário de Estado das Comunidades elogia luso-descendente que denunciou fraude em subsídios sociais

Davide Sousa, um agente da polícia luxemburguesa, foi premiado pelo Governo por ter denunciado casos de fraude.

Jose Luis Carneiro, secretário de Estado das Comunidades
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Jose Luis Carneiro, secretário de Estado das Comunidades Daniel Rocha

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas elogiou nesta sexta-feira "a cidadania responsável" de Davide Sousa, um agente da polícia luxemburguesa premiado pelo Governo por ter denunciado casos de fraude no acesso a subsídios sociais no Luxemburgo.

"Uma das funções essenciais do Estado democrático é apoiar os que mais carecem de apoios públicos, mas para que esta função de solidariedade possa ser cumprida, é necessário que apenas usufruam destes apoios aqueles que efectivamente deles necessitam", disse José Luís Carneiro, durante a cerimónia de atribuição da medalha de mérito das comunidades ao lusodescendente.

Davide Sousa já tinha recebido o prémio de cidadão do ano atribuído pelo Parlamento Europeu (PE) em 2017, pela sua participação em missões de paz em Itália, Bósnia e Geórgia, e por ter revelado um esquema de fraude social "de dimensões europeias".

Em causa estavam pessoas a residir noutros Estados-membros que "utilizavam moradas fictícias no Luxemburgo" para obter subsídios e apoios sociais neste país, um esquema denunciado graças à iniciativa do agente da polícia luxemburguesa, de 41 anos.

"Todas as tentativas de subtracção ao Estado de Direito de recursos indispensáveis para a concretização da justiça social devem ser participadas às autoridades, garantindo que os recursos do Estado são administrados de acordo com o interesse público", defendeu José Luís Carneiro.

Davide Sousa, de 41 anos, nasceu em Differdange, no Luxemburgo, filho de imigrantes portugueses naturais de Bustelo, em Chaves, onde o avô foi guarda-fiscal.

Naturalizou-se quando entrou para a polícia, numa altura em que a lei não permitia ainda a dupla nacionalidade, e é "o primeiro luxemburguês" a receber a medalha de Mérito das Comunidades, que "visa distinguir cidadãos que dignificam a presença de Portugal no mundo", explicou o SECP.

Para José Luís Carneiro, a atribuição da medalha, com o grau Ouro, justifica-se pelas "ímpares qualidades humanas e cívicas (...) patentes nas missões que tem desempenhado ao serviço do Estado luxemburguês em várias partes do mundo" e pela "cidadania comprometida com o Estado de Direito".

O lusodescendente, que recusou falar sobre o caso de fraude social, alegando que o inquérito ainda não está concluído, considerou que é uma obrigação "denunciar, combater e não compactuar com qualquer tipo de fraude que ponha em causa o Estado de direito democrático", afirmando estar sensibilizado com a distinção de Portugal.

"É extremamente gratificante perceber que o Estado português não se esquece dos lusodescendentes que nos vários pontos do globo tentam manter a língua, a cultura e as tradições de Portugal vivas, perpetuando-as a outras gerações e comunidades com as quais convivem", disse. Davide Sousa frisou que não esquece "a paixão por Portugal", país onde todos os anos passa férias e com que mantém "laços intensos e de grande afectividade".

Apesar de ter nascido no Luxemburgo, o lusodescendente disse à Lusa que o português é uma das línguas que continua a falar, tanto no trabalho como em casa. "A minha esposa é croata, mas fala perfeitamente português, e a minha filha mais velha, que tem cinco anos e meio, já fala quatro línguas, incluindo português correcto", disse à Lusa.

O lusodescendente, que tem ainda outra filha com oito meses, é voluntário para uma nova missão da União Europeia, desta vez no Níger (EUCAP Sahel).