Se Espanha fosse hoje a votos seria Rivera o vencedor

Pode faltar ainda muito para as legislativas, mas o partido de direita nascido na Catalunha surge pela primeira vez com uma vantagem significativa numa sondagem nacional.

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Albert Rivera vai continuar a acreditar que pode governar a Espanha Juan Medina/Reuters
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Rajoy, Rivera, Sanchez e Iglesias num debate Juan Medina/Reuters

Na ressaca das eleições autonómicas da Catalunha - onde o Partido Popular de Mariano Rajoy obteve o pior resultado da sua história, os socialistas travaram uma longa tendência de descida e o Podemos perdeu três deputados (depois de ali vencer as últimas legislativas) -, as preferências dos espanhóis mudaram bastante em relação às legislativas que mantiveram Mariano Rajoy no poder.

Não deixa de ser isso mesmo esta nova sondagem do instituto Metroscopia para o jornal El País, o retrato de “um estado de ânimo conjuntural”, mas é um retrato significativo. Por um lado, o Cidadãos, de Albert Rivera - que acaba de ser o partido mais votado na Catalunha com a candidatura de Inés Arrimadas, líder da oposição na anterior legislatura -, atinge uns 27,1% de apoios e deixa bem para trás o PP de Rajoy, que não passa dos 23,2%. Aliás, face às eleições de Dezembro de 2015, todos descem menos o C’s.

É fácil perceber que os novos potenciais eleitores do Cidadãos (C’s) vêm em primeiro lugar do PP, que obteve 28,7% há dois anos – o C’s, do jovem Rivera (38 anos), que nunca escondeu querer chegar ao poder em Madrid, passa de quarta força, com 13,9% para os tais 27,1% de intenções de voto.

Já o PSOE aparece muito próximo do rival tradicional das décadas de bipartidariamo espanhol, alcançando 21,6% de estimativa de votos, muito pouco abaixo do que teve nas urnas (22,01%).

E se o C’s irrompe após as eleições catalãs – muito polarizadas entre independentistas e unionistas, auto-intitulados constitucionalistas –, o Podemos cai, como já se previa, descendo dos 20,66% para 15,1%. O C’s foi a escolha do eleitorado anti-soberanista catalão e isso, para já, reflecte-se na opinião com que o eleitorado do resto de Espanha viu a determinação do partido na defesa da chamada ordem constitucional.

O Podemos, partido de Pablo Iglesias, perdeu por ter uma posição a meio caminho, a favor do referendo da independência, mas contra a via unilateral e a própria secessão. Aliás, vive-se uma dupla crise no Podemos por causa da Catalunha, uma interna e outra entre a direcção do partido e os líderes da Esquerda Unida, com os quais o movimento de Iglesias se apresentou coligado no fim de 2015 (Unidos Podemos).

De acordo com esta sondagem, o partido de Rivera, que se diz de centro mas é de direita, liberal e menos conservador nos costumes do que PP, é o mais votado na maioria nos centros urbanos e o que encontra mais apoio em todas as faixas etárias e grupos económicos. E é essa transversalidade, notam os analistas do Metroscopia, “que rompe definitivamente com o tradicional bipartidarismo que imperou na política espanhola nas últimas décadas”.

Ora, com resultados semelhantes a estes, há outras surpresas. É que um país que se convencionou considerar que tinha um eleitorado maioritariamente de centro-esquerda, a soma dos dois partidos da direita é 14 pontos maior que a soma da esquerda: PP e C’s obtêm 50,3%, enquanto PSOE e Podemos se ficam pelos 36,7%. Por outro lado, e sabendo-se que o Cidadãos tanto se coliga à direita como à esquerda, por já o ter feito em municípios e autonomias, surge a possibilidade de uma coligação do partido de Rivera com o de Pedro Sánchez, que chegaria também para a maioria, com 48,7%.

O PSOE sai deste retrato possivelmente melhor do que esperaria. O partido de Sánchez almeja finalmente um ano tranquilo – sem eleições – e quer preparar com tempo as municipais, europeias e autonómicas de 2019. Sabendo que lhe não chega a queda do Podemos como estratégia – até porque isso pode significar a perda de autarquias e governos autonómicos em que os socialistas se coligaram com os movimentos de Iglesias e assim expulsaram o PP do poder.

Já para o PP o objectivo é travar Rivera a todo o custo, algo que se admite nas reuniões mas não publicamente. Para isso pretende fazer-se notar rapidamente nas cidades e comunidades autonómicas, com a presença dos candidatos e da cúpula. “Na Catalunha somos muito débeis, mas não no resto de Espanha”, dizem dirigentes ao El País. Mais ou menos: as alianças dos socialistas com o Podemos, que agora podem ser postas em causa, deixaram o PP fora de muitos governos autonómicos e municípios. Actualmente, Málaga é a única das cidades grandes com um autarca do PP.

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