Pico da gripe será nos próximos dias mas surto é menos complicado

Presidente do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge afirma que dados apontam para "não seja um período muito complicado, em termos de epidemia".

Fernando de Almeida, presidente do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
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Fernando de Almeida, presidente do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge LUSA/MIGUEL A. LOPES

O presidente do laboratório de referência para a gripe estima que o pico da doença se atinja nos próximos dias e que o surto não seja muito complicado este ano, embora esta seja uma infecção que todos os anos mata.

Em entrevista à agência Lusa, o presidente do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), Fernando Almeida, referiu que os dados reunidos neste laboratório de referência para a gripe apontam para que este "não seja um período muito complicado, em termos de epidemia".

Ao INSA cabe a realização de uma avaliação da gripe em duas vertentes: laboratorial (identificação dos tipos de vírus) e epidemiológico (ao nível das consequências da doença).

"Neste momento estamos no que consideramos o pleno período de surto", afirmou, recordando que a epidemia demora entre oito a nove semanas e que, actualmente, "estamos a caminhar para o pico" da gripe.

Ainda hoje o INSA divulgará um novo Boletim de Vigilância Epidemiológica sobre a gripe, tendo o último indicado uma "actividade gripal epidémica de baixa intensidade", com "tendência crescente".

"Só sabemos que atingimos o pico da gripe quando esse gráfico parar de crescer e, a partir daí, existir uma estabilização e depois uma descida. São oito a nove semanas. Estamos a caminho da quarta, quinta semana de plena gripe e ainda é relativamente cedo, mas tudo aponta que o pico seja atingido dentro de uma, duas semanas", adiantou.

Fernando Almeida mostra-se confiante no efeito da vacinação contra a doença, tendo em conta que nunca como este ano se vacinaram tantas pessoas contra a gripe.

Isto apesar de o vírus que circula actualmente não constar da vacina.

"Não há problema, porque este vírus B é um dos quais é possível fazer a imunização cruzada, o que quer dizer que quando a pessoa recebe a vacina recebe a estirpe que, mesmo não sendo igual, tem pedacinhos de ADN que são iguais e fica também imunizada. No caso de ter gripe, nunca terá a gravidade e a sintomatologia como se não tivesse a vacina", explicou.

Fernando Almeida frisou ainda que o vírus predominante (tipo B) "não é tão virulento", ou seja, "não é tão grave quando provoca a gripe. Se fosse o A era mais complicado", adiantou.

Segundo Fernando Almeida, a época gripal significa para o INSA um período "normal" de trabalho.

"Estamos permanentemente preparados e integramos o plano para as temperaturas adversas", disse.

Relativamente a casos mortais devido à gripe, Fernando Almeida é peremptório: "Há casos mortais devido à gripe. Sempre houve e sempre haverá".

Os dados relativos à presente época gripal só serão conhecidos mais tarde.

Durante a última época gripal (2016/2017), a gripe e a vaga de frio terão sido responsáveis por 4467 óbitos, segundo o relatório anual do Programa Nacional de Vigilância da Gripe, elaborado pelo INSA, em colaboração com a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

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