Há mais alunos com sucesso. Mas ainda são a minoria

Dados divulgados pelo Ministério da Educação mostram que o desempenho dos alunos continua a ser fortemente marcado pelo género e pelo meio de origem.

João Costa frisou que os novos indicadores de desempenho penalizamm escolas com "más práticas"
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João Costa frisou que os novos indicadores de desempenho penalizamm escolas com "más práticas" Fabio Augusto

Tanto no 3.º ciclo como no ensino secundário houve, no passado ano lectivo, mais alunos a conseguirem concluir estes níveis de escolaridade sem chumbar pelo caminho e alcançando nota positiva nos exames nacionais do 9.º e 12.º ano, segundo mostram dados divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério da Educação (ME).

Mas tanto no ensino básico como no secundário a maioria dos alunos continua ainda a não ter um “percurso directo de sucesso”.

É este o nome do indicador que, a partir do ano passado, passou a dar conta da proporção de estudantes que conseguiu, em simultâneo, não chumbar em nenhum dos anos do respectivo ciclo de estudos e ter nota positiva nos principais exames finais. São os chamados, pelo ministério, “percursos directos de sucesso”.

Estes dados “permitem contrariar análises simplistas e não induzir algumas más práticas educativas” nas escolas, ao contrário do que sucede com os rankings tradicionais, elaborados só com base nas notas dos exames, frisou o secretário de Estado da Educação, João Costa. Um exemplo: o indicador, quando usado para comparar escolas, “penaliza as que estão a chutar alunos para fora para não ficarem mal" nessas estatísticas.

Em 2016/2017, 46% dos alunos que concluíram o 9.º ano tiveram um “percurso directo de sucesso”. Dois antes tinham sido 42%. No 12.º ano a evolução foi mais pronunciada, tendo passado de 31% em 2013/2014 para 42% em 2016/2017.

Em declarações aos jornalistas, João Costa considerou que estas subidas se poderiam justificar pela “ligeira subida da média dos exames nacionais” registada no ano passado em quase todas as disciplinas e por algum impacto das acções entretanto adoptadas pelas escolas no âmbito do programa de promoção do sucesso escolar, lançado no ano lectivo passado.

O governante frisou, contudo, que esta evolução deve ser “olhada com cautela” porque em educação dois anos não são tempo suficiente para identificar tendências.

O que dados divulgados nesta quinta-feira também mostram é que o desempenho dos alunos continua a ser marcado fortemente pelo género e pelo meio de origem dos estudantes. Tanto no ensino básico como no secundário existe uma maior proporção de raparigas e de alunos oriundos de meios mais favorecidos entre aqueles que conseguem percursos directos de sucesso.

Alguns dados: no final de 2016/17, mais de metade (51%) das raparigas que concluíram o 9.º ano de escolaridade conseguiram fazê-lo após um percurso limpo de chumbos, enquanto nos rapazes 41% conseguiram o mesmo. No 12.º ano estes valores baixam, respectivamente, para 47% e 37%.

Já em relação ao contexto socioeconómico, verifica-se que há mais percursos "limpos de chumbos" entre os alunos que não têm acção social escolar (ou seja, não são considerados carenciados). Entre estes 54% conseguiram concluir o 9.º ano sem terem reprovado em nenhum ano do 3.º ciclo e obtendo positiva nos exames. No 12.º ano, 44% dos não carenciados conseguiram o mesmo. Os alunos que têm direito apoios de acção social são oriundos de agregados familiares cujo rendimento mensal é igual ou inferior ao salário mínimo nacional. Existem dois escalões, sendo que o escalão A é o que corresponde ao apoio prestado aos alunos mais carenciados. Neste grupo, apenas 22% conseguiram concluir o 9.º ano com um percurso directo de sucesso. No 12.º ano não foram mais do que 28%.

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