Crónica de jogo

Sombrero disfarçou folga das lanças africanas

No dia em que Brahimi abandonou o jogo com queixas musculares, o FC Porto apurou-se para as meias-finais da Taça de Portugal, eliminatória em que vai defrontar o Sporting.

LUSA/OCTAVIO PASSOS
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LUSA/OCTAVIO PASSOS

O FC Porto cumpriu à justa o objectivo principal, que nunca esteve verdadeiramente em perigo, graças a uma entrada decidida, mas sem grande brilho, no terreno do Moreirense (1-2), marcando um encontro com o Sporting nas meias-finais da Taça de Portugal.

E fê-lo dispensando de início as suas lanças africanas, testando alternativas à própria capacidade ofensiva, plano que acabou por resultar graças aos dois golos mexicanos obtidos nos primeiros 20 minutos. Um sombrero suficientemente grande para proteger a equipa, mas simultaneamente um convite à siesta.

Ainda assim, tudo muito simples para os portistas, que entraram praticamente a vencer com os regressados Herrera (9’) e Layún (20’) a aproveitarem para marcar uma posição.

Herrera desfez, numa arrancada patrocinada por Soares, o nó que ameaçava bloquear e atrasar ao máximo os planos dos “dragões”, enquanto Layún aproveitou na perfeição a falta de comunicação na defesa minhota para precipitar a queda do Moreirense.

Sérgio Conceição e Sérgio Vieira prescindiram ambos de sete titulares relativamente aos compromissos anteriores, denotando alguma preocupação em gerir os respectivos grupos: no caso dos “cónegos” para preservar a equipa para a luta pela sobrevivência na Liga, enquanto o FC Porto aproveitava a superioridade teórica para rodar “emocionalmente” pedras que poderão revelar-se importantes no ataque à segunda metade da época.

Furado o desbloqueio, o FC Porto tratou de consolidar o que prometia ser uma vitória tranquila, mas que o Moreirense transformou em sobressalto nos últimos 15 minutos da primeira parte. Nesse período, Iker Casillas foi mesmo obrigado a intervenção fundamental para evitar que o adversário regressasse a jogo. Peña e Zizo dispuseram, no mesmo lance, da melhor situação de golo, revelando falta de discernimento, algo que o ex-portista Tozé ainda tentou rectificar, embora com a mesma taxa de sucesso dos companheiros, falhando nos dois momentos que poderiam ter relançado a partida.

Sem outros atractivos e com o FC Porto a perder pouco a pouco o controlo e o estímulo, Brahimi introduziu um elemento de incerteza, acentuando a apreensão nas hostes portistas ao pedir a substituição na sequência de uma dor na coxa direita. Um problema de menor dimensão para o jogo de Moreira de Cónegos, mas que fez soar o alarme numa altura em que o argelino se assume como principal fonte de inspiração da equipa.

Sérgio Conceição ordenou a troca mesmo em cima do intervalo, voltando a debater-se com uma ameaça semelhante ainda antes de dar ordem para lançar Marega, que também acusou problemas durante o aquecimento, na segunda metade, pelo que teve de ser protegido e regressar ao banco, frustrando os pedidos dos adeptos e obrigando ao recuo do técnico na intenção clara de despertar o ataque.

O Moreirense tinha, entretanto, sacrificado Neto, um dos elementos mais batalhadores, apostando na capacidade atlética de Edno na área do FC Porto. Uma troca que acabou por render dividendos, já que o reforço de Inverno dos “cónegos “conseguiu mesmo colocar o FC Porto em sentido, assinando um golo em que explorou a apatia geral “azul e branca”.

Os “dragões” tinham aproveitado o descanso para se reposicionarem de forma a evitar surpresas, o que acabou por não resultar em pleno. Até porque no ataque, entregue a Soares, eram tímidas as investidas, o que permitiu ao Moreirense mais liberdade para pensar e organizar-se. Soares, que também se ressentiu fisicamente, ainda fez um esforço para voltar aos golos, o que até esteve perto de conseguir, passando o testemunho a um Aboubakar mais contido já nos instantes finais.

 

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