Inquérito parlamentar a Tancos é improvável

PSD não põe de parte, mas depende da vontade do próximo líder. CDS diz que não vale a pena e esquerda nunca falou dessa iniciativa.

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Miguel Manso

O ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, vai voltar ao Parlamento na próxima semana e será de novo confrontado com o mistério do desaparecimento e da aparição do material militar em Tancos. Mas o PSD não põe fora de questão a possibilidade recorrer a uma comissão parlamentar de inquérito para ter todas as explicações. Contudo, depende do novo líder do partido que será eleito este fim-de-semana. É, no entanto, o único partido que admite recorrer a este instrumento.

"Poderá fazer sentido, já houve [comissões de inquérito] por menos, mas é a minha sensibilidade pessoal", diz ao PÚBLICO o deputado coordenador do PSD na comissão parlamentar de Defesa, Pedro Roque. Contudo, para que o partido avance com o pedido de uma comissão de inquérito "terá de haver uma decisão política ao mais alto nível" e neste momento ainda não é certo quem será o "alto nível". O deputado remete para a disputa interna do partido, entre Rui Rio e Santana Lopes, da qual poderá sair, ou não, uma nova liderança da bancada parlamentar. 

Para os sociais-democratas, ainda há muitas perguntas por responder: "Isto parece uma história a brincar, mas é uma questão muito grave, o desaparecimento de material de guerra", acrescenta o deputado que defende que "até serem prestados todos os esclarecimentos" o partido não vai deixar cair o assunto.

O assalto em Tancos vai ser tema de perguntas ao ministro da Defesa, Azeredo Lopes, na próxima semana. O ministro já foi ouvido uma vez sobre o assunto no Parlamento e desta vez, apesar de ser uma audição regimentar, Tancos será um prato forte servido nas perguntas dos deputados da oposição.

O assunto tem andado nos corredores do Parlamento e este domingo, Marques Mendes, no comentário habitual na SIC defendeu que os partidos deviam começar a pensar numa comissão de inquérito. "É uma vergonha ao fim de seis meses não se explicar o que aconteceu, porque é que aconteceu e quem é responsável", disse.

O CDS põe definitivamente de parte a possibilidade de avançar com uma comissão de inquérito. O deputado João Rebelo disse ao PÚBLICO que o relatório confidencial que foi enviado para o Parlamento pode clarificar alguns aspectos em falta e que muito do que há para saber "é da parte criminal". "Há uma responsabilidade política, mas não é uma comissão de inquérito que o vai determinar", acredita o deputado que diz ter algumas dúvidas ainda pendentes sobre o caso.

Do PS para a esquerda nunca houve vontade de avançar com um inquérito parlamentar sobre esta matéria, pelo que neste caso, o PSD pode ficar sozinho no pedido.

Para já, não está activa nenhuma comissão de inquérito. Aliás, os partidos decidiram debater em detalhe na comissão de assuntos constitucionais novas regras para o funcionamento dos inquéritos parlamentares.

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