Morreu Ray Thomas, um dos fundadores dos Moody Blues

O músico tinha 76 anos. Em 2013, revelara que sofria de cancro na próstata.

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Ray Thomas, em 2001, numa actuação em Las Vegas REUTERS/Ethan Miller/File Photo NARCH/NARCH30
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Os Moody Blues em 1970: Ray Thomas é o segundo da direita DR

O músico e cantor Ray Thomas, um dos membros fundadores do grupo britânico Moody Blues, morreu na passada quinta-feira na sua casa no condado de Surrey, a Sul de Londres, aos 76 anos, mas o seu desaparecimento foi anunciado apenas no domingo à noite pela sua editora discográfica. De acordo com um comunicado da Cherry Red Records – Esoteric Recordings, o cantor e multi-instrumentista morreu com cancro na próstata, de que padecia desde 2013.

“Estamos profundamente chocados com a morte de Ray Thomas. O seu calor humano, o seu humor e a sua gentileza vão fazer-nos falta”, escreveu a editora no comunicado, acrescentando ter sido um privilégio conhecer e trabalhar com o músico.

Flautista, cantor e letrista, Ray Thomas conheceu a glória nos anos 60 e 70, depois de ter fundado em 1964 os Moody Blues com Mike Pinder, Denny Laine, Graeme Edge e Clint Warwick. A banda de rock sinfónico e progressivo iria marcar este género musical ao longo dessas duas décadas.

O músico também conheceu o sucesso com álbuns a solo, como os que gravou em meados da década de 70, num hiato da carreira dos Moody Blues, From Mighty Oaks (1975) e Hopes, Wishes, Dreams (1976).

Antes da formação desta banda, Ray Thomas, que nasceu numa família de ascendência galesa a 29 de Dezembro de 1941, em Stourport-on-Severn, passou pelo Birmingham Youth Choir e aventurou-se, com o seu amigo John Lodge, guitarrista, nos caminhos da soul e do blues criando grupos como The Saints and Sinners, The Ramblers e El Riot and the Rebels.

Reagindo ao desaparecimento do amigo, John Lodge escreveu no Twiter, no domingo: “Ray e eu fizemos juntos esta viagem mágica pela vida desde os nossos 14 anos, dois miúdos de Birmingham que alcançaram as estrelas... E fizemos isso juntos. ‘El Riot’, estarás sempre ao meu lado ".

N.º 1 no top britânico

Depois dessas aventuras ainda quase adolescentes, Ray Thomas mobilizou em 1964 outros quatro jovens músicos – o teclista Mike Pinder, o guitarrista Denny Laine, o baterista Graeme Edge e o baixista Clint Warwick – para a criação dos Moody Blues, que, no ano seguinte, apresentariam as suas credenciais com o hit Go now!, uma antecipação do som progressivo, que de seguida seria incluído no primeiro álbum da banda, The Magnificent Moodies. Neste disco, Thomas cantava a sua versão de uma das canções do clássico da ópera Porgy and Bess, de George e Ira Gershwin, It ain’t necessarily so.

Lançado sob a etiqueta Decca Records, Go now! valeria à nova banda o primeiro de vários números um no top britânico da música popular – algo que, nos Estados Unidos, só viria a conquistar em 1972, com o disco Seven Sojourn. Nesta altura, John Lodge já tinha também ingressado no grupo, na sequência da saída de Warwick, e também de Laine (substituído por Justin Hayward).

Já Ray Thomas manteve-se nos Moody Blues e protagonizou todos os seus álbuns – mais de duas dezenas, entre discos de estúdio, registos ao vivo e compilações, entre os quais os icónicos Days of Future Passed (1967), que inclui outro dos maiores hits da banda, Nights in white satin; A Question of Balance (1970); Every Good Boy Deserves Favour (1971); Octave (1978); ou Strange Times (1999) – até ao seu abandono em 2002. O último disco creditado aos Moody Blues seria December, lançado no ano imediatamente a seguir.

Já nessa altura, e para justificar a saída de Thomas, se falou de problemas de saúde. E em 2013 o próprio músico anunciava publicamente sofrer de cancro na próstata, sem hipótese de remoção. “O cancro está em remissão, mas terei de fazer tratamento o resto da minha vida”, escreveu no seu website.

A morte de Ray Thomas veio agora inviabilizar a inscrição dos Moody Blues, com a presença de todos os seus membros, no Rock and Roll Hall of Fame, que em Dezembro tinha sido anunciada para o corrente ano, com a banda britânica numa lista em que são também contemplados os grupos The Cars, Yes e Dire Straits, além de Nina Simone e Bon Jovi.

Com Lusa

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