Companhia de Teatro de Almada festeja os seus 40 anos com Peter Kleinert e Olivier Dubois

Em ano de celebração, a temporada terá quatro produções próprias e vai estender-se à música e à dança.

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Tragédie, de Olivier Dubois, chega a Almada a 19 de Maio DR

Foi há 40 anos que Joaquim Benite (1943-2012) pegou no Grupo de Campolide (fundado em 1971) e atravessou o Tejo para o instalar na Academia Almadense, renomeando-o como Companhia de Teatro de Almada (CTA). Essas quatro décadas estarão em particular destaque na programação da CTA para este ano de 2018, através de um mergulho nos arquivos e na história da companhia que tomará a forma de uma exposição documental “concebida plasticamente” por José Manuel Castanheira. A exposição ocupará vários espaços do Teatro Municipal Joaquim Benite (TMJB) ao longo da temporada e homenageará a figura do fundador e grande impulsionador da CTA – até à data da sua morte, quando o testemunho foi entregue ao seu assistente de encenação, Rodrigo Francisco.

O director artístico da CTA desde então lança a programação para 2018 – fica a faltar conhecer o programa do Festival de Almada, também a seu cargo – alertando para a indefinição quanto ao valor da subvenção estatal para os quatro anos que se seguem (e num contexto de transição em Almada, após os resultados das últimas autárquicas, em que a CDU perdeu um dos seus bastiões históricos). Rodrigo Francisco reforça ainda a inscrição da CTA enquanto companhia “na tradição dos teatros de reportório”, que enquadra de resto as suas quatro produções próprias para 2018, das quais se destaca a colaboração com o encenador histórico alemão Peter Kleinert (colaborador da Schaubühne nos últimos anos), que entre 19 de Outubro e 11 de Novembro apresentará a sua leitura de A Boa Alma de Sé-Chuão, de Bertolt Brecht.

Será uma versão almadense do mesmo texto que Kleinert estreou na Schaubühne em Novembro de 2017, a terceira das suas incursões recentes no reportório brechtiano – depois de Santa Joana dos Matadouros (2013) e A Mãe (2016). Antes disso, já em Janeiro (de 12 a 28), a CTA retoma a carreira de Nathan, o Sábio, texto fundamental de Gotthold Ephraim Lessing para o teatro alemão, protagonizado por Luís Vicente e Maria Rueff, e com encenação de Rodrigo Francisco, estreado em Dezembro do ano passado.

Entre 13 de Abril e 6 de Maio, será a vez de Carlos Pimenta se atirar a um dos grandes textos do reportório norte-americano do século XX, imprimindo a sua marca em A Morte de Um Caixeiro Viajante, texto de Arthur Miller que parte da perda do emprego do protagonista para o afundar na difícil relação entre o indivíduo e a expectativa social que sobre ele impende.

Depois de Kleinert, será a vez de também Rodrigo Francisco regressar aos autores alemães, de 23 de Novembro a 16 de Dezembro, com a encenação de Mártir, texto de Marius von Mayenburg, autor que a CTA já tinha dado a descobrir com a apresentação de O Feio, em 2016. A restante programação de teatro – excluindo ainda o Festival de Almada, cuja apresentação ocorrerá mais tarde – contempla ainda espectáculos de António Olaio (O Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o seu Esplendor, texto de Luiz Pacheco, 2 e 3 de Fevereiro), a primeira encenação de Luis Miguel Cintra após o encerramento da Cornucópia, para a Companhia Mascarenhas-Martins (Um D. João Português, 10 e 11 de Março), o Macbeth de Shakespeare por Nuno Carinhas (17 e 18 de Março), A Noite da Dona Luciana de Copi segundo Ricardo Neves-Neves (27 a 31 de Março), uma nova variação de Joana Craveiro sobre o seu Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas, desta vez reconfigurado como Um Mini-Museu Vivo de Memórias do Portugal Recente (24 a 29 de Abril), e a última criação dos Primeiros Sintomas a partir de Gaston Leroux (A História Assombrosa de como o Capitão Michel Alban Perdeu o seu Braço, 12 e 13 de Outubro). A estes juntam-se ainda criações da Comuna, de João Lagarto, do Teatro do Noroeste e da Companhia de Teatro de Braga, além de uma extensa programação para a infância.

Além do teatro

Na dança, uma aposta constante da programação do teatro almadense, destaque para a presença de Tragédie, peça que Olivier Dubois (bailarino que vimos em peças de Jan Fabre, Angelin Preljocaj ou Sasha Waltz) estreou em Avignon, em 2012, interpretada por 18 bailarinos em nu integral e fundada na estrutura da tragédia grega. Terá apresentação única a 19 de Maio, depois de a 23 e 24 de Fevereiro António Cabrita e São Castro levarem até ao TMJB Um Solo para a Sociedade, a sua primeira criação enquanto directores artísticos da Companhia Paulo Ribeiro. A relação próxima estabelecida entre a CTA e a Companhia Nacional de Bailado será testemunhada pelas passagens de Passo (Ambra Senatore, 25 e 26 de Maio), Contos do Abstracto (António Cabrita e São Castro, 27 e 28 de Outubro) e mais um espectáculo ainda por definir (28 e 29 de Dezembro). A Companhia de Dança de Almada apresentará, por sua vez, P.S. Carmen, de Margarida Belo Costa, a 21 e 22 de Setembro.

Na música, concertos de Lello Minsk e o Pianista de Boite (16 e 23 de Fevereiro), das fadistas Aldina Duarte (17 de Fevereiro) e Gisela João (15 de Dezembro), Samuel Úria (2 de Março), Remexido (2 e 9 de Março), Carlão (29 de Setembro), Mayra Andrade (17 de Novembro) e Projecto Voltaire (7 e 8 de Dezembro). Isto no caso da música popular, porque o programa de Almada para 2018 prevê ainda concertos da Orquestra Metropolitana de Lisboa, (7 de Fevereiro e o concerto de Natal a 21 de Dezembro), da Orquestra Gulbenkian (24 de Fevereiro) e da Orquestra Sinfónica Portuguesa (12 de Maio).