Rio quer que Santana explique a entrada da Misericórdia na banca

Candidato ao PSD exige que o adversário clarifique por que estava disponível para usar “dinheiro da acção social para cobrir as imparidades da banca”.

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Rui Rio e Pedro Santana Lopes são adversários na corrida à liderança do PSD Manuel de Almeida / Lusa

Rui Rio quer que Pedro Santana Lopes esclareça porque é que mostrou disponibilidade para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa entrar nos negócios da banca, nomeadamente no grupo Montepio, e pediu para que, até ao dia das eleições, a 13 deste mês, o nível de debate seja “mais alto”. Em Viseu, num encontro com militantes, o candidato à presidência do PSD exigiu que o seu adversário explique “tim-tim por tim-tim aquilo que aconteceu”, recordando que quem se “ofereceu ao Governo” foi o antigo primeiro-ministro e ex-provedor da Misericórdia de Lisboa.

“Ficámos a saber que foi ele [Santana Lopes] que se ofereceu ao Governo para usar o dinheiro da Santa Casa no saneamento da banca e para cobrir as suas imparidades. E essas imparidades, todas elas e inclusive as do Montepio, não foram a fazer ação social. Foi a dar crédito que não podia ser dado ou, por exemplo no caso do Montepio, ao próprio Banco Espírito Santo”, apontou. Para o candidato, o adversário tem agora a oportunidade para dar uma “boa resposta” a uma “boa pergunta política” da actualidade e “nem é preciso denegrir ninguém” ou “falar meias verdades”.

“Em vez de procurar denegrir o adversário, denegrir até o próprio cargo a que estamos a concorrer", Santana Lopes deveria dizer porque é que queria meter na banca, e sanear bancos em dificuldades, "o dinheiro que existe para apoiar a pobreza". "Esta é a resposta que ele poderia dar, em vez de dizer que os outros são limitados ou paroquiais”, respondendo também às críticas do adversário em entrevista ao Expresso.

O candidato frisou ser “absolutamente inadmissível” a Santa Casa da Misericórdia estar envolvida no negócio com o Montepio. “Isto é algo com que eu não posso concordar. Se eu sou muito crítico da forma como a banca foi gerida em Portugal, durante anos e anos, com erros graves, os maiores dos quais, como nós sabemos, no grupo Espírito Santo, e se eu sou crítico da forma como tivemos de usar dinheiro público dos nossos impostos para tapar os erros cometidos, menos posso aceitar que aquela parte do dinheiro público, que é destinada ao combate à pobreza, que é destinado à misericórdia, esteja disponível para ser metido no sistema bancário”, sustentou.

Rui Rio aceita que o debate entre ambos assuma um tom mais “incisivo”, mas apelou a Santana Lopes para que mantenha o “nível mais alto”. “A preocupação que eu tive, e que vou continuar a ter até ao fim, é a de manter o debate no nível mais alto possível. Eu disse isto ontem (um dia depois do debate televisivo na RTP entre os dois candidatos) e pensei que isto iria ter algum efeito no adversário, mas olho para o Expresso e ele ainda baixa mais o nível. Aquilo que eu mais desejo é que não haja esse clima mais emotivo, que haja serenidade, para que, a partir do próximo sábado, ganhe quem ganhar, o partido esteja unido e não se tenham aberto feridas que depois são muito difíceis de sarar”, concluiu.