Alimentação biológica que aquece o coração

Comida que sabe e faz bem é a promessa do novo restaurante My Mother’s Daughters, gerido por três irmãs e uma mãe que pretendem trazer o conceito de restauração sem desperdício para a mesa.

Miguel Manso
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É lugar-comum falar de locais que contam uma história mas há casos em que a história se revela por trás de um nome. É o que acontece no pequeno café My Mother’s Daughters, localizado em São Sebastião, Lisboa.

O negócio familiar, iniciado em Novembro de 2017, é gerido por uma mãe e as suas três filhas, que há pouco tempo se encontraram num momento crucial das suas vidas para realizar o sonho de vida da matriarca: ter um café.

“Queríamos que mãe fosse o ponto central no nome”, conta Madalena, a filha do meio. “Tínhamos uma grande vontade de homenagear a nossa, bem como a mãe de todos: a natureza.”

Para isso foi criado um espaço em que o saudável não se prende com o baixo consumo calórico mas sim com o consumo de tudo aquilo que é menos processado ou que contém menos químicos, tendo em vista o que é bom para o ser humano e também para o meio ambiente.

É esta a filosofia do estabelecimento erguido em 40 m2  pelas irmãs Proença, que posicionam a sua comida na categoria plant-based (sem produtos de origem animal) mas que simultaneamente não gostam de se associar a grandes etiquetas.

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“Não queremos criar estereótipos. Queremos produzir comida de qualidade que é maioritariamente biológica”, afirma Madalena, para quem o interesse pela comida surgiu de informação: estudos, documentários e filmes. “Este tipo de cozinha pode ser deliciosa, é natural e causa sempre uma sensação de bem-estar”, remata, com um sorriso.

O restaurante preza-se em cozinhar de acordo com o que é natural da estação, sem forçar a produção fora de época, mas também a lutar contra o desperdício, seja ele alimentar ou mesmo de materiais.

De facto, nada foi escolhido ao acaso para o acolhedor espaço, que se encontra forrado por azulejos partidos que são restos de obra aproveitados em género de up-cycling. A madeira utilizada para as mesas e cadeiras provém de fontes sustentáveis e foi trabalhada por refugiados de guerra numa empresa na Bósnia, as almofadas são tingidas com índigo natural por um parceiro local e os candeeiros feitos de maneira artesanal por um artista português.

“Até as loiças e os talheres são feitos localmente, sendo as primeiras de materiais naturais”, contam as irmãs, orgulhosas.

Madalena, Inês e Cristina encontravam-se em pontos de viragem nas suas carreiras e parecia que tudo tendia para a criação de um negócio familiar quando a mãe decidiu reformar-se, há dois anos.

“Sentimos que estamos nesta vida para concretizar sonhos e achámos que era fazível”, confessa Cristina, a mais velha das três. “Quando estamos a fazer algo em que acreditamos, tudo muda. Por mais exigente que seja, é muito especial.”

Comida sem desperdício

Algo crucial para a filosofia do espaço é lutar contra o desperdício alimentar tão comum no negócio da restauração. Foi por isso criada a entrada do dia “Zero Desperdício” (3,50€), que consiste em utilizar sobras do dia anterior, transformando-as num outro prato.

“Noutro dia, ao confeccionar um prato, sobraram lentilhas e portanto no dia seguinte fizemos pastéis de lentilhas com abóbora e manteiga de caju”, conta Inês. “É uma reapropriação já feita em casa e que achamos que faz todo o sentido, dado que a comida se encontra em óptimo estado”, remata ainda a irmã mais nova.

Para além disto, as estrelas do menu são várias: o pudim de chia com carvão activado (4,50€), um elemento que faz bem ao intestino e tem muitos benefícios para a pele; a tosta unicórnio (4,50€), colorida devido à beterraba cor-de-rosa e à pasta de feijão com chá azul ou mesmo o soufflé de vegetais (6,50€), inspirado naquele feito em casa por Maria José Vasconcelos, a mãe das jovens.

Os pratos do dia (9€) também costumam ser bastante populares já que, segundo Madalena, é possível “inventar pratos maravilhosos a partir do momento em que se experimenta e se segue a intuição”.

No menu criado em conjunto com a nutricionista Joana Limão, os lattes de bem-estar (3,80€) têm ainda lugar de destaque como fontes de vitaminas com agradáveis palatos.

A procura pelo espaço, escolhido pela proximidade à casa de Maria José (que não conduz), tem sido incessante e apenas com algumas semanas de funcionamento as suas medidas têm ficado cheias. “A maioria das pessoas que cá vem é meramente curiosa em relação a este tipo de comida, mas estamos muito contentes, porque parecem estar a gostar”, concluem as três.

Texto editado por Sandra Silva Costa

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