Bastonário dos Médicos duvida de dados de tempos de espera

Miguel Guimarães diz ter “informações concretas de pessoas que estão nas urgências que contrariam os dados do portal do SNS”.

Miguel Guimarães confirma que a situação nas urgências hospitalares se agravou nos últimos dias
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Miguel Guimarães confirma que a situação nas urgências hospitalares se agravou nos últimos dias Enric Vives-Rubio

O bastonário da Ordem dos Médicos duvida da fiabilidade dos dados publicados sobre os tempos de espera nas urgências e apela ao Ministério da Saúde para divulgar o tempo real de espera, ajudando os cidadãos a tomar decisões. Miguel Guimarães confirma que a situação nas urgências hospitalares se agravou nos últimos dias, com maior número de doentes a recorrer à generalidade das unidades do país.

Em declarações à agência Lusa, o bastonário considera que o portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS) devia ter uma listagem de todos os centros de saúde abertos e dos seus horários de funcionamento nesta época, bem como informação sobre “o tempo real de espera” nas urgências dos hospitais. “O Ministério da Saúde e a Direcção-Geral da Saúde deviam ter começado há muito tempo uma campanha de habituação relativamente ao recurso aos cuidados de saúde primários. Não o tendo feito, esta informação era importante para as pessoas tomarem decisões”, comentou.

Miguel Guimarães refere que “o tempo [de espera] que está a ser divulgado não é muitas vezes coincidente com o que está a acontecer”. “Não sei se o sistema não é devidamente actualizado ou se existe deficiência na transmissão dos dados. Mas tenho dúvidas sobre a fiabilidade dos dados. Tenho informações concretas de pessoas que estão nas urgências que contrariam os dados do portal do SNS”, contou.

Para o bastonário, o importante não é tanto perceber a razão desta falha, mas transmitir à população os dados correctos da espera nas urgências, para poder ajudar o cidadão a tomar decisões. A par disso, o representante dos médicos afirma que seria útil ter compilados na Internet os centros de saúde com os respectivos horários alargados, bem como difundir essa informação na imprensa.

O bastonário julga mesmo que esta divulgação pode ser mais eficaz e útil do que insistir para que os utentes liguem antecipadamente para o centro de contacto Saúde 24, serviço que considera “nem sempre ter a eficácia que seria desejada”.

Miguel Guimarães estima que nos próximos dias a situação do acesso às urgências vá agravar-se e recorda que o aumento de doentes idosos traz maior pressão aos serviços, nomeadamente porque cresce o número de pessoas que precisam de internamento e, logo, aumenta a necessidade de camas.