Petição contra gestão privada do Maria Matos entregue dia 15 na Assembleia Municipal

Documento recolheu mais de 1750 assinaturas.

NUNO OLIVEIRA
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NUNO OLIVEIRA

A petição para a manutenção de uma gestão pública no Teatro Municipal Maria Matos vai ser entregue no próximo dia 15 à Assembleia Municipal de Lisboa, disse à Lusa um elemento do grupo promotor da iniciativa.

No mesmo dia, o grupo irá também pedir audiências aos presidentes da câmara e da assembleia municipais, acrescentou à Lusa Sara Medeiros Goulart, a primeira signatária da petição, lançada na Internet a 21 de Dezembro.

A decisão resulta de uma reunião realizada ao final da tarde de quarta-feira, que se prolongou pela noite dentro naquela sala de espectáculos de Lisboa, durante a iniciativa intitulada "Outro copo no Maria Matos", acrescentou a mesma fonte.

O grupo que exige a continuação da gestão pública do Teatro Maria Matos, contrariando a pretensão da Câmara Municipal de Lisboa de a entregar a privados, expressa no passado mês de Dezembro pela vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, em entrevista ao PÚBLICO, vai ainda enviar a petição aos partidos políticos com assento na Assembleia Municipal.

A circular na Internet desde o passado dia 21 de dezembro, a petição conta com mais de 1750 assinaturas, entre as quais se encontram as de Mark Deputter, ex-director artístico do Maria Matos, do coreógrafo Bruno Cochat, do programador artístico Sérgio Hydalgo e do encenador e dramaturgo Ricardo Neves Neves.

Segundo Sara Medeiros Goulart, o documento vai também ser enviado para as juntas de freguesia "mais próximas do eixo gravitacional do Maria Matos: Alvalade, Areeiro e Marvila".

Entretanto, o grupo criou uma página no Facebook intitulada "Por uma gestão pública do Maria Matos" e aberta a opiniões e contributos sobre o futuro daquela sala municipal da avenida Frei Miguel Contreiras, junto à Avenida de Roma, onde voltará a reunir-se no próximo dia 17, às 18h, concluiu.

Os autores da petição lembram que este teatro foi alvo de um investimento público continuado, tendo havido obras de requalificação do espaço.

"A entrega do Teatro Maria Matos à gestão privada não só anula todo este trabalho e investimento público, como oferece os seus frutos de mão beijada à entidade à qual vier a ser concessionado, pondo em causa a vocação pública que este equipamento conquistou, e empobrecendo a cidade e o território onde se insere", lê-se no texto de introdução à petição.

Os signatários reclamam ainda um "maior debate público e maior investimento público na cultura", e sublinham que "não se pode perder mais nenhum equipamento cultural municipal".

Entretanto, o vereador do Bloco de Esquerda na autarquia de Lisboa, Ricardo Robles, já se manifestou contra a entrega do teatro à gestão privada, considerando tratar-se de "um caminho errado".

A vereadora da Cultura da Câmara de Lisboa (PS), Catarina Vaz Pinto, anunciou, em entrevista ao PÚBLICO, no passado dia 17 de Dezembro, a intenção de concretizar um novo projecto de gestão dos teatros da autarquia, com o objectivo de resgatar lugares associados à cultura e de diversificar a oferta cultural da cidade.

O plano abrange 11 teatros, dois dos quais (São Luiz e Maria Matos) estão sob gestão da Empresa Municipal de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC). Em declarações à Lusa, no passado dia 21 de Dezembro, Catarina Vaz Pinto explicou que o novo plano contempla que apenas o Teatro Maria Matos seja gerido por uma entidade externa.

Também os comunistas na Câmara de Lisboa questionaram a decisão da autarquia, saindo em defesa da manutenção da gestão pública daquela sala de espectáculos.

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