O ano em que se imprimiu um riso

O que têm em comum um riso, um rosto com milhares de anos e umas sapatilhas? Saíram todos de uma impressora. A tecnologia promete continuar a surpreender.

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Um riso impresso no espaço Eyal Gever
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O riso de Naughtia Jane Stanko – uma estudante de cinema de Nova Iorque – está a orbitar na Estação Espacial Internacional. Parece um donut colorido, mas representa o riso da humanidade. Eyel Gever
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Um grupo de artistas digitais deu cor ao rosto da senhora do Cao através de estudos de etnografia e um banco digital com uma grande quantidade de fotografias de mulheres da região. Ministério da Cultura do Perú
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Este ano a Adidas começou a imprimir ténis personalizados. Adidas
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O foguetão Electron, lançado em Maio, teve um custo de produção reduzido porque alguns componentes – incluindo o motor – foram impressos em 3D. LUSA/ROCKET LAB / HANDOUT

Há anos que se fala da impressão 3D, que promete acelerar processos de fabrico e massificar os objectos personalizados. Nas casas, as impressoras 3D estão muito longe de ser um objecto comum, como alguns entusiastas esperavam. Mas os usos no sector industrial deixam antecipar uma importância crescente da tecnologia no futuro próximo. Eis quatro casos de impressões surpreendentes.

Um riso no espaço

O riso de Naughtia Jane Stanko – uma estudante de cinema de Nova Iorque – está a orbitar na Estação Espacial Internacional desde Fevereiro. Parece um donut colorido, mas representa o riso da humanidade. Foi escolhido de entre 100 mil contribuições de todo o mundo que participaram no concurso #Laugh, promovido por um fornecedor da NASA.

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Após uma impressão monocromática, a escultura foi colorida Eyal Gever

É a primeira escultura criada fora da atmosfera terrestre: demorou quatro horas a ser impresso num ambiente sem gravidade. O objectivo era transportar para o espaço elementos que representem a humanidade no século XXI: arte, tecnologia e Internet. "O riso não tem de representar felicidade. Também há risos sarcásticos, ou mesmo zangados. Há várias maneiras de nos rirmos, mas é algo que todos podemos fazer,” disse ao PÚBLICO Eyal Gever, o artista responsável pelo projecto. A escultura foi pintada para representar as ondas sonoras do riso de Stanko.

Um rosto da história

Em 2017, a senhora do Cao voltou a apresentar-se ao mundo. Com uma impressora 3D e parte do crânio de uma múmia milenar, um grupo de cientistas conseguiu recriar o rosto da mulher que governou a região norte do Peru há 1700 anos.

O primeiro passo foi conseguir imagens da múmia da senhora do Cao através de scanners. O trabalho foi facilitado devido ao estado de preservação da múmia, que foi encontrada num túmulo com um ambiente seco em 2005. Depois, um grupo de artistas digitais deu cor ao rosto recorrendo a estudos de etnografia e a um banco digital com uma grande quantidade de fotografias de mulheres da região.

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A múmia da senhora do Cao foi encontrada em 2005 Ministério da Cultura

“A tecnologia permite-nos ver um rosto de uma líder política, religiosa e cultural da antiguidade”, disse o ministro da Cultura do país, Salvador del Solar.

Sapatos de corrida

Este ano a Adidas começou a imprimir ténis personalizados. Para já, só há perto de cinco mil unidades dos Futerecraft, mas o objectivo é chegar aos 100 mil até ao final de 2018.

O projecto resulta de uma parceria com a empresa de tecnologia 3D Carbon – financiada pelo Google e pela General Electrics – para imprimir as solas dos ténis a uma velocidade 90 vezes maior que a normal. A técnica permite a criação de quantidades mais pequenas de sapatos para um evento especial, ou uma edição de luxo. Cada par pode ser moldado ao pé do utilizador.

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Cada par pode ser moldado ao pé do utilizador Adidas

Motores que saem da atmosfera

O foguetão Electron, lançado em Maio, teve um custo de produção reduzido porque algumas das componentes – incluindo o motor – foram impressas em 3D. O foguetão não conseguiu entrar em órbita, mas o facto de ter sido lançado e ultrapassado a atmosfera terrestre representa avanços para o desenvolvimento comercial de projectos do género.

O fundador da Rocket Lab, a startup americana e neozelandesa responsável pelo projecto, explicou que o objectivo “era desenvolver um foguetão que pudesse ser lançado de forma segura e que possa ser manufacturado em grandes volumes” para “tornar a corrida ao espaço mais acessível."